Semana de 15 a 21 de dezembro de 2025
Rosângela Palhano Ramalho
Caro leitor, o ano se encaminha para o fim.
E como denunciávamos no final de 2024 e início de 2025, os portadores das
péssimas notícias previam, mais uma vez, o caos econômico, social e político.
Foi um ano difícil, mas não caótico. Ainda hoje convive-se com diversas
sabotagens que vêm da elite econômica e financeira (como se neste governo ela
estivesse tendo prejuízo) e da oposição política (comportamento esperado de
quem a compõe). Mas, o fato é que a realidade se impôs às previsões
catastróficas e a economia segue bem apesar da política monetária que mantém o
país na vice-liderança no ranking mundial dos juros altos.
E por falar em juros, este foi o assunto
dominante da semana. O Copom (Comitê de Política Monetária) em sua última
reunião anual ocorrida em 10 de dezembro, decidiu manter, pela quarta vez
consecutiva, a taxa de juros em 15%. A cada nova reunião do colegiado
monetário, especula-se sobre quando se iniciará o ciclo de baixa dos juros. A
ata da sessão, divulgada em 16 de dezembro, frisa que o cenário externo
continua “incerto” marcado pela “tensão geopolítica” que exige “cautela” dos
países emergentes. E, em relação ao cenário interno, a ata realça que “o
conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de
moderação no crescimento da atividade econômica, como observado na última
divulgação do PIB, enquanto o mercado de trabalho mostra resiliência.” O
documento lamenta que o mercado de trabalho tenha nos fornecido pouco
desemprego e destaca que “a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram
apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a
inflação...”. Para não restar dúvidas, o “Comitê avalia que a estratégia em
curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante
prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta” e
“enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária
poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de
ajuste caso julgue apropriado.” Ponto.
Antes da ata ser divulgada, os colunistas
de economia previam que o Copom poderia iniciar o ciclo de corte dos juros em
janeiro ou em março. Afinal, a inflação está sob controle e a condição atual
não sustenta a manutenção de juros em patamar tão alto. Entretanto, a postura
retrógrada da nota foi festejada e, durante a semana, várias interpretações
sobre a mensagem textual foram apresentadas. Aqueles que temem o cessar dos
ganhos com o fim do ciclo de alta surfaram na onda conservadora do Comitê e,
como não podem dizer que a política monetária produziu resultados ruins,
ressuscitaram uma velha tese. Sendo 2026 um ano eleitoral, o governo esbanjará
todos os recursos públicos para se reeleger. Profundamente ideológica e
preconceituosa, a tautologia foi turbinada pelo lançamento da candidatura do
senador Flávio Bolsonaro à eleição presidencial. Tal fato manteve as
expectativas dos investidores, que “continuaram a precificar uma chance menor
de mudança da política econômica a partir de 2027...”. Este tom científico e
preocupado com os rumos da política econômica se repetiu durante a semana, como
este exemplo: “A forte volatilidade dos últimos dias levou o mercado a
precificar uma chance cada vez menor de que o Comitê de Política Monetária
(Copom) reduza os juros já na sua próxima reunião, em janeiro.” E por fim, o
xeque-mate: como o “Copom não pode fazer, diretamente, nada sobre a política
fiscal do governo”, a “postura austera na política monetária – com a promessa
de reagir – serve para dissuadir expansões fiscais.”
2025 se encerra e os velhos dogmas se
mantêm. Se a política monetária (do governo) não produziu desemprego
suficiente, culpe-se a futura, a possível política fiscal esbanjadora (do mesmo
governo), pelo fracasso. Não custa lembrar que 2025 se iniciou com os mesmos
analistas financeiros, aqueles que desejam intensamente o Tarcísio de Freitas
como presidente da República, prevendo o apocalipse no Brasil. A realidade lhes
deu uma surra em 2025 e lhes dará de novo em 2026. Mas está tudo bem: nos
últimos 4 anos, o mercado financeiro acertou apenas 1% das suas previsões.
Então, tudo caminha dentro do esperado...
Professora do Departamento de Economia da UFPB e
pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br,
rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Antônio Queiroz, Julia Bomfim,
Nelson Rosas, Maria Julia Alencar, Jéssica Brito, Icaro Moisés, Alicia, Arthur
Pessoa, Bernardo, Daphnne, Déborah e Gabriel Victor.


