sexta-feira, 16 de outubro de 2026
INDÚSTRIAS E ENTREGUISMO DE RECURSOS NACIONAIS
MEIOS DE PAGAMENTOS: DISPUTA PELO PIX
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
GOLPE, TRAIÇÃO E DOGMA ECONÔMICO: A ECONOMIA BRASILEIRA SEGUE RESISTINDO...
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
INFLAÇÃO: QUEM SE BENEFICIA?
Já ficou por dentro das recomendações econômicas de seguir um caminho de maior controle fiscal pelo Governo? Essa interpretação se apresenta como uma preocupação com a inflação e a desaceleração da economia. Nesta análise, o professor emérito Nelson Rosas explica a essência da tomada de decisão governamental em relação à austeridade fiscal.
Produção: Júlia Araújo e Maria Júlia.
Edição: Guilherme.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
CLASSES DOMINANTES E CAMPANHAS POLÍTICAS
As campanhas políticas são palco para que as classes dominantes do país projetem sua influência através do apoio nas grandes mídias. Nessa análise, o professor doutor Lucas Milanez responde ao questionamento por meio da formação histórica dessas classes.
Produção do vídeo: Talita Ana e Maria Júlia
Edição: Natasha.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
FESTA JUNINA E CONJUNTURA ECONÔMICA
Semana de 01 a de 14 de junho de 2026
Rosângela Palhano Ramanho
Caro leitor, junho se inicia e, com ele, as tradicionais festas nordestinas que limitam os trabalhos do Poder Legislativo brasileiro e pausam o andamento de pautas importantes no Congresso Nacional, como o fim da escala de trabalho 6x1. A matéria foi negligenciada no Senado, e seu presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), aproveita o recesso junino para reproduzir, nas festividades Brasil afora, sua dancinha ridícula e desengonçada. Enquanto isso, Hugo Motta (Republicanos – PB), presidente da Câmara dos Deputados, retornou às suas bases na cidade paraibana de Patos, mas seus festejos foram atropelados pela divulgação de áudios em que pede a liberação de R$ 22 milhões do Banco Master em benefício da empresa de sua cunhada. O procedimento ocorreu “por debaixo dos pano, pra ninguém saber...” como diz o forró da dupla de artistas paraibanos Antonio Barros e Cecéu. Quando descoberto, Motta se limitou a dizer que o tal pedido “está dentro da legalidade”.
Em
relação à conjuntura econômica, o noticiário continua a focar no que se
convencionou chamar de “bondades eleitorais” do governo Lula. Os anunciadores
do fim continuam em ação. Vendem o discurso de que as “irresponsabilidades fiscais”
de hoje cobrarão seu preço amanhã, e que este preço será tão alto que os
beneficiários de tais ações desejarão jamais tê-las recebido. Uma música do
cearense Santana, o cantador (de forró), ilustra a melhor resposta dos
vulneráveis assistidos pelas políticas públicas, que em sua peleja diária pela
sobrevivência encontram monstros maiores que o fim do mundo. Musicaliza o
cantador: “Não tenho medo do fim do mundo não, eu tenho medo é do fim do mês
(...) Tenho mais medo do fim do mês, do que do fim do mundo, o mês se acaba
todo mês e é o fim pra quase todo mundo...”
Anunciar o caos é uma estratégia antiga. Analistas vinculados ao sistema financeiro e os partidários da teoria econômica de manual buscam gerar um terror social ao mesmo tempo em que tentam pautar as decisões governamentais. O caminho teórico é simples. Um ajuste fiscal leva à redução da taxa de juros com efeito positivo no combate às desigualdades sociais, queda da inflação e aumento de investimentos, ou seja, maior eficiência econômica. O argumento arrumado não convence. O presidente Lula declarou em entrevista recente que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, “flexibilizou o bolso”, e que já não há “tanta dificuldade de liberar um dinheirinho”. Irritado, o presidente rechaçou o patrulhamento do seu governo e afirmou: “Déficit de 0,20%, déficit de 0,15%... (...) isso não abala o país. Aqui nós vivemos por conta disso e muitas vezes não se preocupam com o avanço que a sociedade brasileira está tendo.”
O
governo projeta, para este ano, um superávit primário de R$ 4,1 bilhões, dentro
do intervalo previsto pelas regras do arcabouço fiscal. Por outro lado, não há
descontrole inflacionário e o nível geral de preços caminha para fechar o ano
dentro das metas estabelecidas pelo Banco Central. Mesmo assim, o jornalismo
econômico está repleto de críticas. E ao reproduzi-las, mais como um ranço
político do que como análise técnica, a imprensa tenta pautar não só a
necessidade do ajuste fiscal, mas também a decisão da próxima reunião do Copom.
Reforça-se que ainda é muito cedo para um afrouxamento monetário.
Enquanto isso, mais uma pesquisa sobre intenção de
voto para as eleições presidenciais que se aproximam indica a reeleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Genial/Quaest, se o segundo
turno acontecesse hoje, Lula teria 44% dos votos ante 38% do adversário Flávio
Bolsonaro (PL-RJ).
Neste
eterno alavantu e anarriê da quadrilha do jogo democrático, o governo continua
marcando o passo até o balancê.
[1] Professora do Departamento de Economia da
UFPB e pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br,
rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Jéssica Brito, Ícaro Moisés,
Júlia Bomfim, Antonio Queiroz, Nelson Rosas, Maria Júlia Alencar, Maria Iane,
Sophia Maciel, Talita Ana, Vivian, Alyanne, Ana Carolina Oliveira, Ana Luiza,
Arthur Pessoa e Adrielio
quinta-feira, 28 de maio de 2026
INFLAÇÃO, JUROS E ELEIÇÃO
Semana de 04 a 17 de maio de 2026
Rosângela Palhano Ramalho[1]
Finalmente (e não faltaram alertas), o mundo começa
a pagar o preço da guerra de Trump. Em sua sanha colonialista, o presidente
americano impôs consequências também a seu povo. Os preços ao produtor nos
Estados Unidos nos últimos 12 meses encerrados em abril subiram 6%. A última
alta significativa foi verificada em 2022, com os preços do petróleo indo às
alturas em virtude da guerra entre Rússia e Ucrânia. Na Zona do euro, a
inflação subiu para 3%, ficando fora da meta.
No
Brasil, o impacto já é sentido nos preços dos bens industriais. Antes
contribuindo para o controle inflacionário, estes itens sofreram aumento de
0,65% nas primeiras semanas de abril, indicando uma aceleração de preços frente
à apuração prévia da inflação de março, que foi de 0,23%. Os preços dos
aparelhos eletroeletrônicos subiram de 0,5% para 1,06%, os materiais de higiene
pessoal de 0,38% para 1,32% e artigos de limpeza de -0,31% para 0,68%, segundo
apuração do IBGE. Se somarmos a variação dos preços da alimentação no
domicílio, dos bens industrializados e dos serviços comumente contratados pela
população brasileira, registra-se aumento de 0,67% em março. Nem o câmbio
valorizado fechando em torno de R$5 foi suficiente para conter a alta.
No acumulado dos 12 meses terminados em abril, a variação do IPCA foi de 4,39%. Apesar de o indicador encontrar-se dentro dos limites definidos pelo sistema de metas inflacionárias, o mercado financeiro já está comemorando. Afinal, um cenário de pressão inflacionária favorece uma ação mais cautelosa da autoridade monetária, decisão que manterá o Brasil como o olimpo dos rentistas.
O jornalista Pedro Cafardo, em dois artigos de opinião publicados no jornal Valor Econômico, abriu espaço na grande imprensa (e quase não o há), para a análise crítica relativa ao desempenho de nossa economia e à política de juros altos no Brasil. No primeiro artigo, veiculado no dia 10 de junho de 2025 e intitulado “Coisas que acontecem num certo país infeliz”, o autor faz um apanhado dos recentes bons resultados econômicos do país como o controle inflacionário, o crescimento do PIB, a redução da taxa de desemprego, o aumento da rendimento, da renda per capita e dos empregos formais, a redução da desigualdade social, o aumento do lucro líquido bancário e empresarial, os recordes de negociação na Bolsa de Valores... Entretanto, mesmo diante dos avanços, economistas e analistas de mercado anunciam um “terrível descontrole fiscal” e grande parte dos brasileiros continua cética. Já o segundo artigo, de título “Há exagerado pessimismo e muita tolerância com juro alto”, publicado quase 1 ano depois, em 12 de maio de 2026, retoma os bons números da economia que ainda são vistos com desconfiança por parte dos brasileiros. Por fim, Cafardo arremata que a mesma elite econômica e financeira que em coro acusa “gastança, gastança!”, forma as expectativas de inflação, produz a política de juros altos e ainda recebe as benesses dela.
Posicionamentos como este são raros na imprensa
nacional, que tende a priorizar seus espaços ao dogma econômico liberal. Por
exemplo: enquanto o governo atuava para negociar o “tarifaço” americano imposto
ao Brasil a pedido do deputado cassado e fugitivo Eduardo Bolsonaro, o
jornalismo econômico projetava cenários “preocupantes”. As ações do governo
federal como o lançamento do Novo Desenrola, o fim da taxa das blusinhas, o
Programa Brasil Contra o Crime Organizado renderam a seguinte manchete
jornalística: ‘Bondades’ eleitorais de governo Lula colocam fiscal, inflação e
juros em risco (Valor Econômico, 15/05/2026). Nada imparciais, “análises” como
esta proliferam. Sob o pretexto de “salvar” o Brasil deste governo
“incompetente”, pede-se ao governo que ele não governe e perca a eleição.
O cenário
brasileiro continua desafiador, especialmente em ano eleitoral...
[1] Professora do
Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br, rosangelapalhano31@gmail.com).
Colaboraram: Jéssica Brito, Ícaro Moisés, Júlia Bomfim, Antonio Queiroz, João Pedro, José Gustavo,
Nelson Rosas, Maria Júlia Alencar, Natasha Carvalho, Júlia Almeida e Deborah Mª
Ferreira.


