sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

DO CENÁRIO APOCALÍPTICO À CALMARIA, 2025 COMEÇA A SE DESPEDIR...

 Semana de 15 a 21 de dezembro de 2025

    

Rosângela Palhano Ramalho

     

Caro leitor, o ano se encaminha para o fim. E como denunciávamos no final de 2024 e início de 2025, os portadores das péssimas notícias previam, mais uma vez, o caos econômico, social e político. Foi um ano difícil, mas não caótico. Ainda hoje convive-se com diversas sabotagens que vêm da elite econômica e financeira (como se neste governo ela estivesse tendo prejuízo) e da oposição política (comportamento esperado de quem a compõe). Mas, o fato é que a realidade se impôs às previsões catastróficas e a economia segue bem apesar da política monetária que mantém o país na vice-liderança no ranking mundial dos juros altos.

E por falar em juros, este foi o assunto dominante da semana. O Copom (Comitê de Política Monetária) em sua última reunião anual ocorrida em 10 de dezembro, decidiu manter, pela quarta vez consecutiva, a taxa de juros em 15%. A cada nova reunião do colegiado monetário, especula-se sobre quando se iniciará o ciclo de baixa dos juros. A ata da sessão, divulgada em 16 de dezembro, frisa que o cenário externo continua “incerto” marcado pela “tensão geopolítica” que exige “cautela” dos países emergentes. E, em relação ao cenário interno, a ata realça que “o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, como observado na última divulgação do PIB, enquanto o mercado de trabalho mostra resiliência.” O documento lamenta que o mercado de trabalho tenha nos fornecido pouco desemprego e destaca que “a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação...”. Para não restar dúvidas, o “Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta” e “enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.” Ponto.

Antes da ata ser divulgada, os colunistas de economia previam que o Copom poderia iniciar o ciclo de corte dos juros em janeiro ou em março. Afinal, a inflação está sob controle e a condição atual não sustenta a manutenção de juros em patamar tão alto. Entretanto, a postura retrógrada da nota foi festejada e, durante a semana, várias interpretações sobre a mensagem textual foram apresentadas. Aqueles que temem o cessar dos ganhos com o fim do ciclo de alta surfaram na onda conservadora do Comitê e, como não podem dizer que a política monetária produziu resultados ruins, ressuscitaram uma velha tese. Sendo 2026 um ano eleitoral, o governo esbanjará todos os recursos públicos para se reeleger. Profundamente ideológica e preconceituosa, a tautologia foi turbinada pelo lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à eleição presidencial. Tal fato manteve as expectativas dos investidores, que “continuaram a precificar uma chance menor de mudança da política econômica a partir de 2027...”. Este tom científico e preocupado com os rumos da política econômica se repetiu durante a semana, como este exemplo: “A forte volatilidade dos últimos dias levou o mercado a precificar uma chance cada vez menor de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza os juros já na sua próxima reunião, em janeiro.” E por fim, o xeque-mate: como o “Copom não pode fazer, diretamente, nada sobre a política fiscal do governo”, a “postura austera na política monetária – com a promessa de reagir – serve para dissuadir expansões fiscais.”

2025 se encerra e os velhos dogmas se mantêm. Se a política monetária (do governo) não produziu desemprego suficiente, culpe-se a futura, a possível política fiscal esbanjadora (do mesmo governo), pelo fracasso. Não custa lembrar que 2025 se iniciou com os mesmos analistas financeiros, aqueles que desejam intensamente o Tarcísio de Freitas como presidente da República, prevendo o apocalipse no Brasil. A realidade lhes deu uma surra em 2025 e lhes dará de novo em 2026. Mas está tudo bem: nos últimos 4 anos, o mercado financeiro acertou apenas 1% das suas previsões. Então, tudo caminha dentro do esperado...


Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br, rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Antônio Queiroz, Julia Bomfim, Nelson Rosas, Maria Julia Alencar, Jéssica Brito, Icaro Moisés, Alicia, Arthur Pessoa, Bernardo, Daphnne, Déborah e Gabriel Victor.


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