domingo, 25 de janeiro de 2026

O MUNDO TEM UM IMPERADOR. NO BRASIL, A TORCIDA PELO CAOS CONTINUA...

Semana de 12 a 18 de janeiro de 2026

   

Rosângela Palhano Ramalho[1]

  Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, se auto elegeu imperador do mundo. Infelizmente, seu blá-blá-blá ilógico para a ordem econômica mundial estabelecida ultrapassou a barreira da falácia. O ataque à Venezuela, a partir do sequestro de Nicolás Maduro e de sua mulher, foi apenas um aperitivo. Os desdobramentos, duas semanas após o fato, demonstram cristalinamente, que Trump não cederá os seus instintos violentos de submeter o mundo a seus pés, pois lança ameaças à Colômbia, Cuba e em especial, à Groenlândia. E o faz sob as mais variadas justificativas, inclusive a de que o mundo deixará de se aproveitar dos “inocentes e espoliados” Estados Unidos da América. Uma argumentação patética!

Enquanto se assiste inerte aos desvarios e ameaças do americano, aqui no Brasil, os políticos que se autointitulam patriotas logo se curvaram a Trump quase que implorando que o mesmo acontecesse ao Brasil. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou em sua conta no Instagram: “Que todos os ditadores na América Latina, sejam presidentes ou juízes, encontrem o mesmo destino”. O parlamentar Zucco (PL-RS) declarou que a violência figura como uma “... oportunidade histórica para que a Venezuela possa reconstruir suas instituições, restabelecer o Estado de Direito, garantir eleições livres e devolver dignidade ao seu povo”. Vejam só. Golpistas falando de democracia. Outro golpista, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) comemorou: “...acabou, sobretudo, o tempo de passar pano para ditaduras e ditadores”. O próprio Trump já declinou do discurso político e assumiu publicamente que a agressão à Venezuela aconteceu para que os EUA pudessem espoliar a principal riqueza do país, o petróleo. E por fim, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também golpista e pré-candidato à presidência da República, afirmou do alto do seu cinismo: “Ditaduras não caem sozinhas, caem quando os povos escolhem a liberdade”. Falou o filho do presidiário que tentou dar um golpe de Estado no Brasil.

É importante que tais declarações fiquem registradas em nossa história. Como país, vivemos tempos sombrios. A extrema-direita no Brasil conseguiu pautar o golpe de Estado como saída e alimenta, em suas redes digitais, o desejo dos saudosistas da ditadura de 1964. Ou seja, uma ala expressiva da política do Brasil, que tem maioria no Congresso Nacional, continua golpista, pois seu discurso está sempre amparado pela violência política destinada aos adversários e pela aspiração de uma intervenção vinda dos militares nacionais ou de nações estrangeiras.

Embora a oposição política tenha se esforçado em criar um clima de conflito a partir da desinformação e do medo, os resultados econômicos de 2025 se sobrepuseram a este ambiente belicoso. Além disso, o país soube ultrapassar, com maestria, o desafio do aumento da sobretaxação vinda dos Estados Unidos. O PIB deve fechar 2025 com crescimento em torno de 2,5% segundo projeção da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. A taxa de desemprego no país alcançou o menor patamar desde a existência da pesquisa realizada pelo IBGE, e fechou o trimestre encerrado em novembro em 5,2%. Com o aumento do emprego formal, o trabalhador brasileiro se percebe mais seguro em relação às relações de trabalho. Pesquisa realizada pela FGV detectou que, como a desocupação caiu, a percepção de quem trabalha é de maior proteção e garantia dos direitos previstos na lei trabalhista.

Em termos das projeções para 2026, o relatório do Banco Mundial intitulado Perspectivas Econômicas Globais revisou para baixo a projeção para a taxa de crescimento econômico do país em 2026. Ainda cresceremos, mas segundo a instituição, a estimativa caiu de 2,2% para 2%. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, que tem acertado bastante em suas previsões, prevê crescimento de 2,4% em 2026.

A lei orçamentária anual foi aprovada. O Orçamento da União para 2026 será de R$ 6,54 trilhões e as áreas sociais receberam incrementos. A educação receberá para investimentos, R$ 233,7 bilhões do orçamento, a saúde contará com R$ 271,3 bilhões e o Bolsa Família terá a garantia de R$ 158,63 bilhões. Os programas Pé-de-Meia, Gás para Todos e a política de valorização do salário-mínimo continuarão a ser executados. Como estamos em ano eleitoral, os anunciadores do caos continuam a postos e continuam a exigir que o governo, que consideram perdulário, corte de gastos retirando dinheiro dos programas sociais. Pelo visto, não irão prosperar.


[1] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br, rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Antônio Queiroz, Julia Bomfim, Nelson Rosas, Maria Julia Alencar, Jéssica Brito, Icaro Moisés, Lucas Carvalho, Lucas Gabriel, Luís Vinicius e Mariana Sofia.


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