Semana de 12 a 18 de janeiro de 2026
Rosângela Palhano Ramalho[1]
Donald Trump, presidente dos Estados
Unidos, se auto elegeu imperador do mundo. Infelizmente, seu blá-blá-blá
ilógico para a ordem econômica mundial estabelecida ultrapassou a barreira da
falácia. O ataque à Venezuela, a partir do sequestro de Nicolás Maduro e de sua
mulher, foi apenas um aperitivo. Os desdobramentos, duas semanas após o fato,
demonstram cristalinamente, que Trump não cederá os seus instintos violentos de
submeter o mundo a seus pés, pois lança ameaças à Colômbia, Cuba e em especial,
à Groenlândia. E o faz sob as mais variadas justificativas, inclusive a de que
o mundo deixará de se aproveitar dos “inocentes e espoliados” Estados Unidos da
América. Uma argumentação patética!
Enquanto se assiste inerte aos desvarios e
ameaças do americano, aqui no Brasil, os políticos que se autointitulam
patriotas logo se curvaram a Trump quase que implorando que o mesmo acontecesse
ao Brasil. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou em sua conta no
Instagram: “Que todos os ditadores na América Latina, sejam presidentes ou
juízes, encontrem o mesmo destino”. O parlamentar Zucco (PL-RS) declarou que a
violência figura como uma “... oportunidade histórica para que a Venezuela
possa reconstruir suas instituições, restabelecer o Estado de Direito, garantir
eleições livres e devolver dignidade ao seu povo”. Vejam só. Golpistas falando
de democracia. Outro golpista, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) comemorou:
“...acabou, sobretudo, o tempo de passar pano para ditaduras e ditadores”. O
próprio Trump já declinou do discurso político e assumiu publicamente que a agressão
à Venezuela aconteceu para que os EUA pudessem espoliar a principal riqueza do
país, o petróleo. E por fim, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também
golpista e pré-candidato à presidência da República, afirmou do alto do seu
cinismo: “Ditaduras não caem sozinhas, caem quando os povos escolhem a
liberdade”. Falou o filho do presidiário que tentou dar um golpe de Estado no
Brasil.
É importante que tais declarações fiquem
registradas em nossa história. Como país, vivemos tempos sombrios. A
extrema-direita no Brasil conseguiu pautar o golpe de Estado como saída e
alimenta, em suas redes digitais, o desejo dos saudosistas da ditadura de 1964.
Ou seja, uma ala expressiva da política do Brasil, que tem maioria no Congresso
Nacional, continua golpista, pois seu discurso está sempre amparado pela
violência política destinada aos adversários e pela aspiração de uma
intervenção vinda dos militares nacionais ou de nações estrangeiras.
Embora a oposição política tenha se
esforçado em criar um clima de conflito a partir da desinformação e do medo, os
resultados econômicos de 2025 se sobrepuseram a este ambiente belicoso. Além
disso, o país soube ultrapassar, com maestria, o desafio do aumento da
sobretaxação vinda dos Estados Unidos. O PIB deve fechar 2025 com crescimento
em torno de 2,5% segundo projeção da Secretaria de Política Econômica do
Ministério da Fazenda. A taxa de desemprego no país alcançou o menor patamar
desde a existência da pesquisa realizada pelo IBGE, e fechou o trimestre
encerrado em novembro em 5,2%. Com o aumento do emprego formal, o trabalhador
brasileiro se percebe mais seguro em relação às relações de trabalho. Pesquisa
realizada pela FGV detectou que, como a desocupação caiu, a percepção de quem
trabalha é de maior proteção e garantia dos direitos previstos na lei
trabalhista.
Em termos das projeções para 2026, o
relatório do Banco Mundial intitulado Perspectivas Econômicas Globais revisou
para baixo a projeção para a taxa de crescimento econômico do país em 2026.
Ainda cresceremos, mas segundo a instituição, a estimativa caiu de 2,2% para
2%. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, que tem
acertado bastante em suas previsões, prevê crescimento de 2,4% em 2026.
A lei orçamentária anual foi aprovada. O
Orçamento da União para 2026 será de R$ 6,54 trilhões e as áreas sociais
receberam incrementos. A educação receberá para investimentos, R$ 233,7 bilhões
do orçamento, a saúde contará com R$ 271,3 bilhões e o Bolsa Família terá a
garantia de R$ 158,63 bilhões. Os programas Pé-de-Meia, Gás para Todos e a
política de valorização do salário-mínimo continuarão a ser executados. Como
estamos em ano eleitoral, os anunciadores do caos continuam a postos e
continuam a exigir que o governo, que consideram perdulário, corte de gastos
retirando dinheiro dos programas sociais. Pelo visto, não irão prosperar.
[1] Professora do Departamento de Economia da UFPB e
pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br,
rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Antônio Queiroz, Julia Bomfim,
Nelson Rosas, Maria Julia Alencar, Jéssica Brito, Icaro Moisés, Lucas Carvalho,
Lucas Gabriel, Luís Vinicius e Mariana Sofia.



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