quinta-feira, 27 de novembro de 2025

ENFIM, PUNIÇÃO!

Semana de 17 de a 23 de novembro de 2025

    

Rosângela Palhano Ramalho[1]

 

Caro leitor, este texto tem como objetivo apresentar os principais destaques econômicos da semana indicada pelo cabeçalho. Entretanto, irei um pouco além, pois fatos importantes aconteceram enquanto esta coluna era editada. O primeiro (e não estamos falando de um filme de roteiro ruim ou de uma comédia) foi a violação da tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto estava em prisão domiciliar. Prisão esta, acontecida no âmbito da tentativa de coação da Suprema Corte Brasileira enquanto tramitava o processo a que responde por golpe de Estado. A primeira versão para tal “engenhosidade” foi a de que colidiu com o aparelho numa escada; a segunda, depois da constatação da Polícia Federal de que havia um dano visível no equipamento, foi a de que o danificou com um ferro de solda por “curiosidade”; e, por fim, tentou atribuir ao ato, uma confusão mental provocada pela ingestão de remédios. Como prêmio, recebeu a decretação da prisão preventiva no sábado, 22/11. Foi burrice? Certamente. Jair Bolsonaro já demonstrou seu idiotismo ao longo de sua vida pública. Entretanto, associada à sua estupidez, está uma arrogância que o torna um indivíduo de alta periculosidade. O seu menosprezo às pessoas, às regras sociais e às instituições brasileiras, somado à impunidade que acompanhou as suas ações, o estimulou a dar um golpe de Estado. Portanto, a sociedade brasileira triunfa ao ver aplicadas as regras jurídicas àquele que se achava acima da lei.

O segundo fato, diz respeito à conclusão do processo, em 25 de novembro, do núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado. Enquanto encerrava este texto, tive a satisfação de acompanhar a decretação da prisão, para cumprimento de pena, de Jair Bolsonaro (líder da organização criminosa), Augusto Heleno (general que sugeriu “virar a mesa” antes das eleições de 2022), Alexandre Ramagem (ex-Abin, criminoso que foragiu-se para os Estados Unidos), Almir Garnier (que se colocou “à disposição” do líder da Orcrim), Anderson Torres (aquele que estava de férias exatamente no dia 08/01/2023, para se abster das obrigações de conter o motim), Paulo Sérgio Nogueira (que pediu adesão às Forças Armadas a um decreto golpista), Walter Braga Netto (preso desde o momento em que se constatou sua participação no plano de assassinar autoridades) e Mauro Cid (não menos culpado, mas que vai cumprir pena em regime aberto devido ao acordo de colaboração premiada). A condenação, histórica, contou com a ajuda dos réus, que na melhor demonstração de suas burrices e arrogâncias, produziram uma imensidão de provas contra si mesmos. A decisão deixa Bolsonaro inelegível até 2060, um alívio para as instituições brasileiras, e ainda põe fim à impunidade de militares, que saíram ilesos de todos os golpes que patrocinaram no Brasil até hoje.

Essas considerações são importantes, estimado leitor, porque os fatos econômicos estão inseridos nesta realidade que assombra o Brasil desde as eleições de 2018. A ascensão da extrema-direita ao poder deu voz e visibilidade àqueles que estavam sub-representados politicamente. Fascistas, racistas, misóginos, homofóbicos, xenófobos, intolerantes religiosos, milicianos, necropolíticos, sentiram-se à vontade para sair do esgoto e passaram a cometer crimes à luz do dia referendados por quem estava no poder.

Desta forma, as discussões ideológicas se sobrepuseram às questões econômicas e a edição de pesquisas com os mais diferentes temas demonstram isso. Ao longo dos últimos três anos, a economia brasileira apresentou significativos avanços: restabeleceu o funcionamento de programas sociais que foram desmontados, resgatou relações diplomáticas e comerciais, saiu do mapa da fome, reduziu a desigualdade social, apresentou ganhos significativos de renda, reduziu o desemprego ao seu menor nível desde a criação da pesquisa... Sob sabotagens, o país sobrevive. No caso do tarifaço, o Brasil conseguiu, com os instrumentos de política econômica disponíveis, aumentar as exportações, protegendo os produtores e diversificando destinos. Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, as vendas externas subiram 7%, segundo dados da FGV.

A economia vai crescer em 2025 de novo, mas já apresenta desaceleração. É o que mostra o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) do Banco Central de setembro. A queda de 0,24% do indicador mostra que, enfim, o “sucesso” da política monetária restritiva está se consolidando. Outro indicador da atividade econômica, o Monitor do PIB da FGV apresentou alta de 0,1% em setembro e ficará estável no terceiro trimestre. O Copom continua preocupado, pois persiste um “mercado de trabalho dinâmico” e “moderação gradual” da atividade.

Enquanto a economia segue o seu curso, a tentativa de teocratizar o Estado Brasileiro continua. Na última semana, acompanhamos a investida do senador Flávio Bolsonaro em editar uma nova festa da Selma ao convocar apoiadores para uma vigília em frente ao condomínio de luxo em que estava encarcerado o ex-presidente. Ao conclamar sua turma, disse que “o Senhor dos exércitos” seria usado para “reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje.” A horda não se cansa. Que as instituições brasileiras permaneçam alertas!


[1] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br, rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Antônio Queiroz, Julia Bomfim, Nelson Rosas, Lara Souza, Maria Julia Alencar e Icaro Moisés.

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