Semana de 17 de a 23 de novembro de 2025
Rosângela Palhano Ramalho[1]
Caro leitor, este texto tem como objetivo
apresentar os principais destaques econômicos da semana indicada pelo
cabeçalho. Entretanto, irei um pouco além, pois fatos importantes aconteceram
enquanto esta coluna era editada. O primeiro (e não estamos falando de um filme
de roteiro ruim ou de uma comédia) foi a violação da tornozeleira eletrônica
pelo ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto estava em prisão domiciliar. Prisão
esta, acontecida no âmbito da tentativa de coação da Suprema Corte Brasileira
enquanto tramitava o processo a que responde por golpe de Estado. A primeira
versão para tal “engenhosidade” foi a de que colidiu com o aparelho numa
escada; a segunda, depois da constatação da Polícia Federal de que havia um
dano visível no equipamento, foi a de que o danificou com um ferro de solda por
“curiosidade”; e, por fim, tentou atribuir ao ato, uma confusão mental
provocada pela ingestão de remédios. Como prêmio, recebeu a decretação da
prisão preventiva no sábado, 22/11. Foi burrice? Certamente. Jair Bolsonaro já
demonstrou seu idiotismo ao longo de sua vida pública. Entretanto, associada à
sua estupidez, está uma arrogância que o torna um indivíduo de alta
periculosidade. O seu menosprezo às pessoas, às regras sociais e às
instituições brasileiras, somado à impunidade que acompanhou as suas ações, o
estimulou a dar um golpe de Estado. Portanto, a sociedade brasileira triunfa ao
ver aplicadas as regras jurídicas àquele que se achava acima da lei.
O segundo fato, diz respeito à conclusão do
processo, em 25 de novembro, do núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado.
Enquanto encerrava este texto, tive a satisfação de acompanhar a decretação da
prisão, para cumprimento de pena, de Jair Bolsonaro (líder da organização
criminosa), Augusto Heleno (general que sugeriu “virar a mesa” antes das
eleições de 2022), Alexandre Ramagem (ex-Abin, criminoso que foragiu-se para os
Estados Unidos), Almir Garnier (que se colocou “à disposição” do líder da Orcrim),
Anderson Torres (aquele que estava de férias exatamente no dia 08/01/2023, para
se abster das obrigações de conter o motim), Paulo Sérgio Nogueira (que pediu
adesão às Forças Armadas a um decreto golpista), Walter Braga Netto (preso
desde o momento em que se constatou sua participação no plano de assassinar
autoridades) e Mauro Cid (não menos culpado, mas que vai cumprir pena em regime
aberto devido ao acordo de colaboração premiada). A condenação, histórica,
contou com a ajuda dos réus, que na melhor demonstração de suas burrices e
arrogâncias, produziram uma imensidão de provas contra si mesmos. A decisão
deixa Bolsonaro inelegível até 2060, um alívio para as instituições
brasileiras, e ainda põe fim à impunidade de militares, que saíram ilesos de
todos os golpes que patrocinaram no Brasil até hoje.
Essas considerações são importantes,
estimado leitor, porque os fatos econômicos estão inseridos nesta realidade que
assombra o Brasil desde as eleições de 2018. A ascensão da extrema-direita ao
poder deu voz e visibilidade àqueles que estavam sub-representados
politicamente. Fascistas, racistas, misóginos, homofóbicos, xenófobos,
intolerantes religiosos, milicianos, necropolíticos, sentiram-se à vontade para
sair do esgoto e passaram a cometer crimes à luz do dia referendados por quem
estava no poder.
Desta forma, as discussões ideológicas se
sobrepuseram às questões econômicas e a edição de pesquisas com os mais
diferentes temas demonstram isso. Ao longo dos últimos três anos, a economia
brasileira apresentou significativos avanços: restabeleceu o funcionamento de
programas sociais que foram desmontados, resgatou relações diplomáticas e
comerciais, saiu do mapa da fome, reduziu a desigualdade social, apresentou
ganhos significativos de renda, reduziu o desemprego ao seu menor nível desde a
criação da pesquisa... Sob sabotagens, o país sobrevive. No caso do tarifaço, o
Brasil conseguiu, com os instrumentos de política econômica disponíveis,
aumentar as exportações, protegendo os produtores e diversificando destinos. Na
comparação com o terceiro trimestre de 2024, as vendas externas subiram 7%,
segundo dados da FGV.
A economia vai crescer em 2025 de novo, mas
já apresenta desaceleração. É o que mostra o Índice de Atividade Econômica do
Banco Central (IBC-Br) do Banco Central de setembro. A queda de 0,24% do
indicador mostra que, enfim, o “sucesso” da política monetária restritiva está
se consolidando. Outro indicador da atividade econômica, o Monitor do PIB da
FGV apresentou alta de 0,1% em setembro e ficará estável no terceiro trimestre.
O Copom continua preocupado, pois persiste um “mercado de trabalho dinâmico” e
“moderação gradual” da atividade.
Enquanto a economia segue o seu curso, a
tentativa de teocratizar o Estado Brasileiro continua. Na última semana,
acompanhamos a investida do senador Flávio Bolsonaro em editar uma nova festa
da Selma ao convocar apoiadores para uma vigília em frente ao condomínio de
luxo em que estava encarcerado o ex-presidente. Ao conclamar sua turma, disse
que “o Senhor dos exércitos” seria usado para “reagir e resgatar o Brasil desse
cativeiro que ele se encontra hoje.” A horda não se cansa. Que as instituições
brasileiras permaneçam alertas!
[1] Professora do Departamento de Economia da UFPB e
pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br,
rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Antônio Queiroz, Julia Bomfim,
Nelson Rosas, Lara Souza, Maria Julia Alencar e Icaro Moisés.


