domingo, 26 de abril de 2026

OS ANUNCIADORES DO CAOS ESTÃO DE VOLTA...

 Semana de 06 a 19 de abril de 2026  

Rosângela Palhano Ramalho[1]

  O presidente Lula encaminha o encerramento do seu 3º mandato. Político e gestor experiente, com escolhas de governo e forma de governar já conhecidas, vem desde o dia 04 de outubro de 2022, quando venceu o pleito, superando diversos desafios. O primeiro foi o de governar antes mesmo de tomar posse, já que o seu antecessor, assim que perdeu a eleição, abandonou covardemente a administração federal. A PEC da Transição foi a solução para a pusilanimidade de Bolsonaro que, não satisfeito, impôs ao país uma tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023. O governo federal, resguardado pela atuação do Supremo Tribunal Federal, sobreviveu a esta aberração e assiste a punição dos envolvidos. Seguiram-se a estes fatos as insinuações de senilidade do presidente — que o impediria de recandidatar-se, é claro — o ataque especulativo sofrido pelo real em dezembro de 2024, o tarifaço americano em julho de 2025, mérito do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e, no momento, os efeitos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, bem como uma “possível desistência” de sua candidatura presidencial.

Lula, com maestria, lidou com todos os contratempos, demonstrando seu vigor físico e utilizando, nos demais casos, o aparato institucional disponível sem burlar as normas constitucionais. A habilidade do presidente provoca ira em uma parte da sociedade que se ressente da possibilidade de ser governada pela 4ª vez por um ex-metalúrgico, semianalfabeto e sem um dos dedos da mão ceifado por um acidente de trabalho. Para aquele grupo social há inúmeras perguntas sem resposta: Por que o Brasil ainda não se transformou em uma Venezuela? Por que os empresários frustrados com a vitória de Lula permaneceram no Brasil? Por que o presidente brasileiro é prestigiado pela maioria dos chefes de Estado do mundo? Por que o agronegócio lucra tanto com um governo progressista? Por que a Bolsa de Valores ultrapassou, e continua ultrapassando, volumes recordes de negociação? Por que o real está valorizado? Por que a economia brasileira continua a crescer mesmo diante dos boicotes e de um cenário externo desfavorável?

Cegos pela intolerância e derrotados pela realidade, os propagadores do caos não conseguem responder a estas questões e continuam a fazer o que sabem fazer: anunciar o caos. Como abutres, estão à espreita... Deliciam-se com a perspectiva de que a inflação brasileira ultrapassará o teto da meta em 2026. Afinal, inflação em alta, governo em queda... O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em março, apurado pelo IBGE, subiu 0,88% em virtude da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O mercado esperava uma alta de até 0,82%. Outro dado bastante comemorado é o endividamento do consumidor, turbinado em parte pelas apostas em bets. Segundo levantamento do Banco Central, desde o mês de outubro 29% da renda das famílias está comprometida com o pagamento de dívidas.

Para solucionar os problemas, é preciso manter a máquina pública em funcionamento. A partir desta conclusão óbvia, os anunciadores do caos argumentam: o país vai implodir se continuar gastando, digo, se o presidente continuar governando. Fala-se isso com um despudor assustador. Em primeiro lugar, porque não há descontrole das finanças públicas. No ano de 2025, o governo cumpriu a meta fiscal com folga e, em 2026, o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro e déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro. O saldo líquido é positivo em R$ 56,854 bilhões no 1º bimestre do ano. Em segundo lugar, não surpreende que todas as propostas de ajuste fiscal passem pela punição aos aposentados e aos mais vulneráveis como se parasitários do povo estes fossem.

Finalizemos este texto com um dado que vai aterrorizar os portadores da desordem. O consumo das famílias puxará a aceleração do PIB no 1º trimestre! Apesar do endividamento, o volume de vendas do varejo restrito, que inclui os bens de consumo essenciais, que já tinha avançado em 0,4% em janeiro, subiu para 0,6% em fevereiro, de acordo com o IBGE. O varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e vendas no atacado e no varejo, subiu 1% em fevereiro, frente a alta de 0,9% em janeiro. Portanto, os números da economia continuam animadores e, ao que parece, o caos tão desejado não passará de ressentimento enraizado. Novamente.



[1] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br, rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Ícaro Moisés, Gabriel Viana, Júlia Bomfim, João Gabriel Pereira, Antônio Queiroz, Nelson Rosas, Maria Júlia Alencar, José Gustavo e Sophia Maciel.

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Local:João Pessoa, Paraíba, Brasil Brasil

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