Semana de 06 a 19 de abril de 2026
Rosângela Palhano Ramalho[1]
O presidente Lula encaminha o encerramento
do seu 3º mandato. Político e gestor experiente, com escolhas de governo e
forma de governar já conhecidas, vem desde o dia 04 de outubro de 2022, quando
venceu o pleito, superando diversos desafios. O primeiro foi o de governar
antes mesmo de tomar posse, já que o seu antecessor, assim que perdeu a
eleição, abandonou covardemente a administração federal. A PEC da Transição foi
a solução para a pusilanimidade de Bolsonaro que, não satisfeito, impôs ao país
uma tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023. O governo federal,
resguardado pela atuação do Supremo Tribunal Federal, sobreviveu a esta
aberração e assiste a punição dos envolvidos. Seguiram-se a estes fatos as
insinuações de senilidade do presidente — que o impediria de recandidatar-se, é
claro — o ataque especulativo sofrido pelo real em dezembro de 2024, o tarifaço
americano em julho de 2025, mérito do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e, no
momento, os efeitos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, bem como uma
“possível desistência” de sua candidatura presidencial.
Lula, com maestria, lidou com todos os
contratempos, demonstrando seu vigor físico e utilizando, nos demais casos, o
aparato institucional disponível sem burlar as normas constitucionais. A
habilidade do presidente provoca ira em uma parte da sociedade que se ressente
da possibilidade de ser governada pela 4ª vez por um ex-metalúrgico,
semianalfabeto e sem um dos dedos da mão ceifado por um acidente de trabalho.
Para aquele grupo social há inúmeras perguntas sem resposta: Por que o Brasil
ainda não se transformou em uma Venezuela? Por que os empresários frustrados
com a vitória de Lula permaneceram no Brasil? Por que o presidente brasileiro é
prestigiado pela maioria dos chefes de Estado do mundo? Por que o agronegócio
lucra tanto com um governo progressista? Por que a Bolsa de Valores
ultrapassou, e continua ultrapassando, volumes recordes de negociação? Por que
o real está valorizado? Por que a economia brasileira continua a crescer mesmo
diante dos boicotes e de um cenário externo desfavorável?
Cegos pela intolerância e derrotados pela
realidade, os propagadores do caos não conseguem responder a estas questões e
continuam a fazer o que sabem fazer: anunciar o caos. Como abutres, estão à
espreita... Deliciam-se com a perspectiva de que a inflação brasileira
ultrapassará o teto da meta em 2026. Afinal, inflação em alta, governo em
queda... O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em março, apurado pelo
IBGE, subiu 0,88% em virtude da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o
Irã. O mercado esperava uma alta de até 0,82%. Outro dado bastante comemorado é
o endividamento do consumidor, turbinado em parte pelas apostas em bets.
Segundo levantamento do Banco Central, desde o mês de outubro 29% da renda das
famílias está comprometida com o pagamento de dívidas.
Para solucionar os problemas, é preciso
manter a máquina pública em funcionamento. A partir desta conclusão óbvia, os
anunciadores do caos argumentam: o país vai implodir se continuar gastando,
digo, se o presidente continuar governando. Fala-se isso com um despudor
assustador. Em primeiro lugar, porque não há descontrole das finanças públicas.
No ano de 2025, o governo cumpriu a meta fiscal com folga e, em 2026, o Governo
Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit
primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro e déficit primário de R$ 30,046
bilhões em fevereiro. O saldo líquido é positivo em R$ 56,854 bilhões no 1º
bimestre do ano. Em segundo lugar, não surpreende que todas as propostas de
ajuste fiscal passem pela punição aos aposentados e aos mais vulneráveis como
se parasitários do povo estes fossem.
Finalizemos este texto com um dado que vai
aterrorizar os portadores da desordem. O consumo das famílias puxará a
aceleração do PIB no 1º trimestre! Apesar do endividamento, o volume de vendas
do varejo restrito, que inclui os bens de consumo essenciais, que já tinha
avançado em 0,4% em janeiro, subiu para 0,6% em fevereiro, de acordo com o
IBGE. O varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e vendas
no atacado e no varejo, subiu 1% em fevereiro, frente a alta de 0,9% em
janeiro. Portanto, os números da economia continuam animadores e, ao que
parece, o caos tão desejado não passará de ressentimento enraizado. Novamente.
[1] Professora do Departamento de Economia da UFPB e
pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br,
rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Ícaro Moisés, Gabriel Viana,
Júlia Bomfim, João Gabriel Pereira, Antônio Queiroz, Nelson Rosas, Maria Júlia
Alencar, José Gustavo e Sophia Maciel.



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