sábado, 15 de janeiro de 2011

O que esperar de 2011?!

Semana de 03 a 09 de janeiro de 2011

O último mandato do agora ex-presidente Lula foi marcado por altos e baixos. Segundo o Fundo Monetário Internacional, em 2007, o PIB brasileiro cresceu 6,1%. Já no ano de 2008, quando o Brasil foi atingido pela “marolinha”, o crescimento ficou em 5,1% e em 2009, diante do tsunami, o PIB decresceu 0,2%. Segundo estimativas, em 2010, a taxa de crescimento do PIB deverá ser em torno de 7,5%. Mas, o que esperar no primeiro ano de mandato da primeira mulher presidenta do país, Dilma Rousseff?

Para começar, no primeiro dia útil do ano (03/01), a presidenta teve que desembolsar R$ 110,4 bilhões para pagar o maior lote da dívida pública em papéis federais de 2011. Pago este valor, restarão apenas R$ 253 bilhões a pagar entre fevereiro e novembro. Calcula-se que esta dívida está em torno de R$ 1,6 trilhões. Mas não é só Brasil que está devendo. Bancos e governos (federais, estaduais e municipais) europeus e estadunidenses somam um total de US$ 7 trilhões necessários para o financiamento das contas públicas e dos ativos podres. No Japão, a necessidade de refinanciamento chega a 50% do seu PIB. A expectativa é de que em 2011 a dívida pública japonesa chegue ao dobro do PIB e, em 2012, atinja 210% do PIB.

Diante deste gigantismo, no Brasil, o primeiro escalão do novo governo já garantiu que, passadas as eleições, a regra é reduzir os gastos e cumprir a meta fiscal sem recorrer a truques contábeis (como a capitalização da Petrobras em 2010). Para isso, economistas, como Mansueto Almeida, do IPEA, defendem um corte no crescimento do investimento e nos gastos públicos. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, assinalou como prioridade a votação de um projeto de lei complementar que limite a expansão dos gastos do Estado com pessoal. Enquanto isso, Guido Mantega, que continuou no Ministério da Fazenda, anunciou a decisão de reduzir o caixa para empréstimos do BNDES. Agora ele admite que o custo do subsídio é muito elevado, na medida em que, nos seus empréstimos, o banco é remunerado pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 6% ao ano, mas se capitaliza com os recursos do Tesouro, que paga a Taxa Selic de 10,75% ao ano. No momento, o BNDES financia até 70% dos projetos que apóia. O objetivo é reduzir este número, obrigando os investidores a recorrerem aos bancos privados.

Por sua vez, o novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, garantiu um anabolizante para o Saci Macroeconômico ao defender, em seu discurso de posse, uma meta de inflação menor. Para ele, é necessária uma luta "incansável e intransigente da missão institucional de assegurar a estabilidade e o poder de compra da moeda", idéia que é referendada por Dilma Rousseff. E, como sabemos, contra a inflação, o aumento da taxa de juros é a solução. É exatamente o que o mercado espera da primeira reunião do Copom, nos dias 18 e 19 desse mês: um aumento de 0,5% na Selic.

Deixando de lado as políticas econômicas, vejamos a atividade econômica.

Um dos principais contribuintes para o crescimento do PIB em 2010 foi a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que representa o investimento em máquinas e equipamentos e na construção civil. O crescimento da FBCF foi superior a 20% em 2010, porém, três elementos modificarão esta situação em 2011: 1) o fim do Plano de Sustentação do Investimento do BNDES em março; 2) a exposição à desleal concorrência externa causada pela supervalorização do real; e 3) o provável aumento dos juros. Esses três fatores contribuirão para a redução do crescimento da FBCF. A expectativa do economista-chefe do J. P. Morgan, Fábio Akira, é de que o crescimento desse investimento será de 11% no presente ano. Já para Mônica Baumgarten de Bolle, economista da Galanto Consultoria, "se o governo reduzir os estímulos fiscais, monetários e de crédito em 2011, para trazer a inflação para nível mais compatível com o centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%, a FBCF não crescerá na casa de dois dígitos".

Não na mesma magnitude, muitos países do resto mundo também ensaiaram uma recuperação no ano passado. Mas, como no caso do Brasil, é de se esperar uma desaceleração desta retomada. Há quem admita, além do presente redator, que a economia mundial seguirá, a partir de 2011, a rota do "double dip", ou duplo mergulho.

Os estímulos foram dados, os indicadores melhoraram e os países se endividaram. Agora, em 2011, chegou o momento de acertar as contas e soltar a mão do sistema.

Texto escrito por:
Lucas Milanez de Lima Almeida: Mestre em Economia, professor substituto do Departamento de Economia da UFPB e pesquisador do PROGEB. (www.progeb.blogspot.com)
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