quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Acaba o prestígio dos emergentes



Semana de 29 de julho a 04 de agosto de 2013


Rosângela Palhano Ramalho[i]



            Não dá mais para negar. Os países emergentes, este ano, deixarão de ser “a menina dos olhos” do mundo. Se havia esperanças de que eles iriam salvar o planeta da crise, estas, definitivamente acabaram de morrer. As projeções de crescimento para a economia mundial estão caindo vertiginosamente. Com um título bem sugestivo, o documento “Dores do crescimento” do FMI, registrou a revisão para baixo, em sua maioria, das estimativas de crescimento dos países. O crescimento mundial também foi revisado de 3,3% para 3,1% e o dos emergentes caiu de 5,3% para 5%.
            Segundo o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, se o resultado for 2% menor do que o projetado pela instituição, isto geraria, por exemplo, uma queda da economia americana em 0,5%.
            A previsão do FMI para os Estados Unidos foi rebaixada de 1,9% para 1,7% e nem mesmo algumas boas notícias vindas de lá animaram o cenário econômico. Os americanos esperam, no segundo trimestre, crescer a uma taxa anualizada de 1,7% do PIB. Mas a revisão da série histórica tem fechado os números em valores bem abaixo daqueles esperados. O que pode contribuir para a queda dessa taxa é o mau desempenho da economia, entre abril e junho, que ficou abaixo da média trimestral de 2,2%. Embora a geração de empregos tenha atingido 200 mil, em julho, e os preços dos imóveis tenham subido, ainda não há sinais sólidos da retomada econômica americana, daí a cautela do Federal Reserv (Fed), Banco Central dos EUA, em reduzir os estímulos monetários.
            Na Europa, como era de se esperar, as previsões são piores. O FMI rebaixou a previsão de encolhimento do PIB da União Europeia, que era de -0,4% e passou para -0,6%.
            Caberia então, aos emergentes, a salvação da economia mundial. Mas, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), estão com o crescimento comprometido em 2013. A revisão para baixo feita pelo FMI, foi de 3,4% para 2,5% para a Rússia, de 5,8% para 5,6% para a Índia, de 8,1% para 7,8% para a China e de 3% para 2,5% para o Brasil.
            Aqui, no Brasil, alguns órgãos já haviam revisto suas previsões. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia reduzido a estimativa para 2%. No fim de junho, o Banco Central cortou sua previsão de 3,1% para 2,7% e a projeção atual do mercado, segundo o Boletim Focus, já caiu para 2,24%.
            Na tentativa de salvar o crescimento econômico e, por consequência, garantir a reeleição de Dilma, o governo, e principalmente os petistas, responsabilizam o “exagerado pessimismo” que foi instaurado pelos problemas econômicos.
            Para “driblar” este “pessimismo”, o governo, acompanhado por alguns economistas a seu soldo, procura enaltecer alguns números recém-divulgados. A produção industrial, por exemplo, que havia apresentado queda de 2%, entre abril e maio, voltou a crescer em junho. Se comparado a maio, o aumento foi de 1,9%. O segundo trimestre do ano fechará provavelmente com um crescimento de 1,7%, resultado melhor que o do primeiro trimestre de 0,6%. O setor de bens de capital cresceu 6,3% no mês, comparado a maio, e acumula alta de 13,8% no semestre. Este é o número mais favorável.
            Mas o que dizer desta estatística isolada? Embora os números reacendam a discussão de que a “retomada gradual” da nossa economia é visível, não se pode afirmar que estamos na fase de reanimação. O bom desempenho do setor de bens de capital, que deveria, em tese, garantir a retomada dos investimentos industriais, esconde em suas estatísticas dois subsetores que acabam por inflar os dados: o de caminhões e máquinas agrícolas. Devido à boa safra agrícola, principalmente, esses dois subsetores contribuíram para a alta dos bens de capital, mas em nada estão contribuindo para o aumento da capacidade produtiva industrial.
            Será então que o Brasil está recuperando o vigor econômico? Segundo o ministro da Fazendo, Guido Mantega, sim. Ao comentar as estatísticas, declarou que a produção industrial vai “muito bem, obrigado”. Ainda, segundo ele, se em seis meses de observação, quatro apresentam crescimento e dois têm resultado negativo, prevalece o crescimento. É uma forma bem particular de ver os números.
            Será este sobe e desce da atividade econômica, o tal crescimento sustentado?


[i] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)
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