Semana de 03 a 09 de março de 2025
Paola Teotônio Cavalcante de Arruda[i]
O Carnaval chegou ao fim, e o Brasil teve mais de um motivo para comemorar a tradicional folia: uma conquista histórica no Oscar. O país recebeu, pela primeira vez, a estatueta de Melhor Filme Internacional, um feito que marca não apenas o cinema nacional, mas também a cultura e a história do Brasil no cenário global.
O filme premiado narra a história de Eunice
Paiva, mulher que perdeu o marido durante o regime ditatorial brasileiro e
precisou assumir sua família em meio à repressão política. Com o tempo, Eunice
tornou-se um símbolo na luta contra a ditadura e seus crimes, que incluíram
perseguições, torturas e assassinatos. Mais do que um reconhecimento
cinematográfico, a premiação reforçou a valorização da memória e a necessidade
de se revisitar os erros do passado para evitar que eles sejam repetidos no
futuro.
No entanto, enquanto o Brasil celebrava
essa conquista, o cenário econômico global continuou impondo mais desafios
significativos à realidade. Nos Estados Unidos, Donald Trump e as novas tarifas
sobre importações vêm acirrando as perspectivas de guerra comercial e
aumentando as pressões sobre diversas economias, incluindo a brasileira. As
tendências da economia norte-americana caminham para desdobramentos como
inflação elevada, crescimento econômico fraco nos EUA e uma política de juros
mais altos por parte do Federal Reserve.
No caso brasileiro, mais do que as
alíquotas, o fortalecimento do dólar pode produzir impactos severos, visto que
o país sofre historicamente com a volatilidade cambial e a força da moeda
norte-americana. Além disso, internamente, o Brasil enfrenta outro problema,
que se intensifica com as turbulências internacionais: os juros elevados
reforçam a tendência de desaceleração econômica e, consequentemente, limitam o
crescimento do PIB.
Para nós, do Observatório, essa é uma
tendência negativa e preocupante. Afinal, queremos que o país cresça e se
desenvolva. Mas, infelizmente, esse não parece ser o desejo de todos. Como
temos pontuado nas nossas análises, as correntes econômicas dominantes não só
não demonstram preocupação com essa desaceleração, como parecem desejá-la. Para
a elite econômica, o cenário de baixo crescimento representa uma consequência
natural e necessária para manter a política monetária sob controle, e não deve
ser combatido, mas intensificado com juros altos.
Por isso, caro leitor, estamos todos
proibidos de estimular o PIB! É necessário que o país cresça e se desenvolva
pouco, em prol do atendimento à "meta de inflação". E não sou eu quem
está dizendo isso. Em matéria do jornal Valor Econômico, intitulada
"Estímulo pode aquecer PIB e dificultar meta de inflação, aponta
ARX", especialistas defendem a desaceleração da economia, ainda que isso
signifique menos empregos, menos renda, menos qualidade de vida para os
cidadãos. Na matéria, o economista Gabriel Leal de Barros apoia as medidas de
contenção e afirma, exatamente, que "essa desaceleração significa PIB para
baixo e desemprego para cima. A dúvida é se o governo vai topar".
Na análise desta semana, no entanto, não nos perguntamos se o governo irá concordar ou não com isso. Pelo contrário, escolhemos passar a bola para quem sofrerá com os impactos que esse tipo de pensamento gera na prática: Você, caro leitor, topa perder seu emprego para conter o crescimento do Brasil e aumentar os lucros da elite financeira com juros altos, como querem as classes dominantes?
[i]Pesquisadora do PROGEB e Graduada em Relações Internacionais (UFPB). (paolatc.arruda@gmail.com). Colaboraram: Antonio Queirós, Gustavo Figueiredo e Ícaro Moisés.
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