Semana de 24 fevereiro a 2 de março de 2025
Nelson Rosas Ribeiro[i]
O mundo continua impactado pelo furacão Trump. Sua imprevisibilidade surpreende a todos. Nenhum analista nos poderá dizer para onde estamos caminhando. No entanto, Trump continua executando o que prometeu em sua campanha. Aos trancos e barrancos, em um vai e vem tresloucado, ele avança no processo de desagregação do que conhecemos por globalização, perseguindo o seu lema Make America Great Again (MAGA). As recentes mudanças incluem a aproximação à Rússia, a retirada do apoio militar à Ucrânia e o corte de financiamentos à OTAN, forçando os europeus a ajustarem seus orçamentos militares. De modo aleatório ele cria tarifas e as remove seguindo uma lógica que ninguém pode prever. Uma coisa parece certa: ele não sabe, nem mede as consequências dos seus próprios atos. Primeiro faz e depois verifica o que resultou e, se não gostar, desfaz. Dá o dito por não dito. As tarifas contra o México e o Canadá são exemplos disso. O Brasil é o próximo candidato a ser atingido com a taxação que incide sobre as importações do ferro e do alumínio.
No campo político sua ação é igualmente desconcertante. Quer resolver a guerra da Ucrânia tratando diretamente com os russos e deixando fora das negociações a OTAN e o fantoche Zelensky. Pretende solucionar a guerra em Gaza erradicando os palestinos e transformando o enclave em um resort. Em nome da segurança dos EUA promete anexar a Groelândia, ocupar o Canal do Panama e transformar o Canadá em mais um estado americano. Com isto ele provocou conflitos com os canadenses, os panamenhos, com a Dinamarca e União Europeia, e os países Árabes, como um todo. Isto sem falar das entidades internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), a Organização Mundial da Saúde (OMS), de onde ele retirou os EUA, e a própria ONU, que ele ameaça abandonar. A França convocou uma reunião de líderes europeus para decidir sobre os orçamentos militares, rearmamento e apoio na defesa da Ucrânia. Os países árabes já promoveram uma reunião no Egito, onde elaboraram um plano alternativo ao dos EUA, para a faixa de Gaza. Vários governos europeus já se pronunciaram em protesto contra as pretensões americanas de anexação da Groelândia, e prestando solidariedade à Dinamarca, atual administrador da região. Assim, com o nervosismo geral em expansão, o mundo espera impotente as próximas travessuras do tresloucado Trump.
Em relação à economia nacional, os dados continuam muito positivos. O IBC-Br, publicado pelo Banco Central (BC), mostrou um crescimento de 3,8%, para o PIB, em 2024, dado corrigido agora pelo IBGE para 3,4%. Os níveis de emprego formal continuam elevados, embora haja uma pequena desaceleração no último trimestre do ano. A desaceleração do crescimento neste trimestre, indica que o PIB, embora crescendo, em 2024, tenha seu ritmo reduzido. As tensões internacionais, as medidas do governo Trump, com suas tarifas, pode criar dificuldades para o crescimento, ao desorganizar as cadeias produtivas e o comércio internacional. As nossas indústrias podem ter dificuldades para adquirir insumos e as exportações podem ser muito prejudicadas. Haverá inevitavelmente um período de adaptações cuja duração e intensidade não é possível mensurar.
Não podemos esquecer a ação sabotadora das organizações criminosas sediadas no BC e no Congresso Nacional. No congresso, temos de contar como certas as dificuldades para a aprovação de leis propostas pelo governo, a começar pelo próprio orçamento, que até agora não foi aprovado. No BC, já está em gestação nova elevação da taxa Selic, o que traz consequência para as taxas de juros de todo o país. Embora o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social venha mantendo uma forte atuação no mercado, tendo aumentado seus desembolsos em 17% e a aprovação de crédito em 22%, no ano passado, os elevados juros cobrados desestimulam os investimentos. Não se pode negar também a forte restrição ao consumo que estas taxas representam. Infelizmente, entre os economistas do BC, continua a prevalecer velhas e superadas teorias econômicas que, mesmo sem saber o que é a inflação, só recomendam um único remédio para o mal: a elevação dos juros.
[i] Economista, Professor Emérito da UFPB e Vice Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira; nelsonrr39@hotmail.com; (www.progeb.blogspot.com). Colaboraram os pesquisadores: Júlia Bomfim, Júlia Dayane, Miguel Marinho, Raquel Lima e Rubens Gabriel.
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