Semana de 10 a 16 de março de 2025
Lucas Milanez de Lima Almeida [i]
Ainda estávamos nos recuperando dos
festejos carnavalescos e cinematográficos quando o IBGE divulgou os dados
oficiais sobre a economia brasileira em 2024. Poucos foram os que viram a
notícia, e menos ainda são os que se lembram: o PIB brasileiro cresceu 3,4% no
ano passado. Alguns diriam que foi sorte, argumentando que o presidente Lula
sempre pega a economia com o bonde da economia em condições favoráveis (como
nos anos entre 2003 e 2010). Porém,
Primeiro, a economia mundial não está em
franca ascensão, pelo contrário. Para além da desaceleração da produção e do
comércio internacionais, o mundo enfrenta mudanças estruturais que se
intensificaram durante a pandemia de Covid-19. Em segundo, essas mudanças
levaram ao aumento dos preços das commodities e a mudanças significativas na
relação do dólar com outras moedas, tornando a inflação um fenômeno mundial.
Além disso, vimos um aguçamento das contradições
Internamente, há pelo menos 10 anos, as
pressões para a adoção de políticas orçamentárias restritivas se
intensificaram, o que resultou em um forte estrangulamento da capacidade do
Estado de atuar no atendimento dos interesses da fração da sociedade ligada ao
setor urbano nacional. Consequentemente, além de os empresários do setor
industrial e comercial terem
Enfim, quando assumiu, o grande mérito do
governo Lula 3 foi conseguir atender aos interesses de outras frações da
burguesia, para além do atendimento prioritário dos setores financeiro e
agroexportador. Quando isto aconteceu, estes se revoltaram. Não que tenham
perdido seu assento premiado, apenas houve um freio no escárnio que foi a
gestão orçamentária da dupla Bolsonaro-Paulo Guedes (com menção honrosa a
Michel Temer).
O resultado da mudança de governo já havia
sido visto em 2023. Naquele ano, a indústria havia crescido 1,7% em relação a
2022. Agora, a situação foi ainda melhor, pois, entre 2023 e 2024, o
crescimento da indústria quase dobrou, indo para 3,3%. Ainda na indústria, os
destaques positivos vão para a construção civil (+4,3%) e indústria de
transformação (+3,8%). Dentre os serviços, que no total cresceram 3,7%, o
destaque foi para os serviços de informação e comunicação, com aumento de 6,3%.
Por sua vez, neste mesmo período, os investimentos cresceram 7,3%.
Ainda assim, há duas más notícias. A
primeira é a queda de 3,2% no PIB agropecuário, resultado de intempéries
climáticas. A segunda é o aumento de 14,7% nas importações, que mostra a frágil
capacidade da nossa estrutura produtiva de fornecer produtos quando a economia
entra em rota de crescimento. Por outro lado, dentre os principais produtos
importados, o destaque é a compra de bens de capital, que servem para ampliar a
capacidade produtiva do país. São mercadorias que só são compradas quando a
perspectiva de crescimento é boa.
Infelizmente, para quem tem poder, a
alegria do povo é um tormento. Resultado de sorte ou competência, é difícil
mudar essa triste realidade do país. Não há outra saída que não a boa e velha
luta de classes.
[i] Professor (DRI/UFPB; PPGCPRI/UFPB; PPGRI/UEPB) e
Coordenador do PROGEB. (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; @almeidalmilanez; lucasmilanez@hotmail.com). Colaboraram: Camylla Martins, Icaro Formiga, Mateus
Eufrasio, Jéssica Brito, Lara Souza, Raquel Lima, Ryann Félix e Paola Arruda.
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