Semana de 01 a de 14 de junho de 2026
Rosângela Palhano Ramanho
Caro leitor, junho se inicia e, com ele, as tradicionais festas nordestinas que limitam os trabalhos do Poder Legislativo brasileiro e pausam o andamento de pautas importantes no Congresso Nacional, como o fim da escala de trabalho 6x1. A matéria foi negligenciada no Senado, e seu presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), aproveita o recesso junino para reproduzir, nas festividades Brasil afora, sua dancinha ridícula e desengonçada. Enquanto isso, Hugo Motta (Republicanos – PB), presidente da Câmara dos Deputados, retornou às suas bases na cidade paraibana de Patos, mas seus festejos foram atropelados pela divulgação de áudios em que pede a liberação de R$ 22 milhões do Banco Master em benefício da empresa de sua cunhada. O procedimento ocorreu “por debaixo dos pano, pra ninguém saber...” como diz o forró da dupla de artistas paraibanos Antonio Barros e Cecéu. Quando descoberto, Motta se limitou a dizer que o tal pedido “está dentro da legalidade”.
Em
relação à conjuntura econômica, o noticiário continua a focar no que se
convencionou chamar de “bondades eleitorais” do governo Lula. Os anunciadores
do fim continuam em ação. Vendem o discurso de que as “irresponsabilidades fiscais”
de hoje cobrarão seu preço amanhã, e que este preço será tão alto que os
beneficiários de tais ações desejarão jamais tê-las recebido. Uma música do
cearense Santana, o cantador (de forró), ilustra a melhor resposta dos
vulneráveis assistidos pelas políticas públicas, que em sua peleja diária pela
sobrevivência encontram monstros maiores que o fim do mundo. Musicaliza o
cantador: “Não tenho medo do fim do mundo não, eu tenho medo é do fim do mês
(...) Tenho mais medo do fim do mês, do que do fim do mundo, o mês se acaba
todo mês e é o fim pra quase todo mundo...”
Anunciar o caos é uma estratégia antiga. Analistas vinculados ao sistema financeiro e os partidários da teoria econômica de manual buscam gerar um terror social ao mesmo tempo em que tentam pautar as decisões governamentais. O caminho teórico é simples. Um ajuste fiscal leva à redução da taxa de juros com efeito positivo no combate às desigualdades sociais, queda da inflação e aumento de investimentos, ou seja, maior eficiência econômica. O argumento arrumado não convence. O presidente Lula declarou em entrevista recente que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, “flexibilizou o bolso”, e que já não há “tanta dificuldade de liberar um dinheirinho”. Irritado, o presidente rechaçou o patrulhamento do seu governo e afirmou: “Déficit de 0,20%, déficit de 0,15%... (...) isso não abala o país. Aqui nós vivemos por conta disso e muitas vezes não se preocupam com o avanço que a sociedade brasileira está tendo.”
O
governo projeta, para este ano, um superávit primário de R$ 4,1 bilhões, dentro
do intervalo previsto pelas regras do arcabouço fiscal. Por outro lado, não há
descontrole inflacionário e o nível geral de preços caminha para fechar o ano
dentro das metas estabelecidas pelo Banco Central. Mesmo assim, o jornalismo
econômico está repleto de críticas. E ao reproduzi-las, mais como um ranço
político do que como análise técnica, a imprensa tenta pautar não só a
necessidade do ajuste fiscal, mas também a decisão da próxima reunião do Copom.
Reforça-se que ainda é muito cedo para um afrouxamento monetário.
Enquanto isso, mais uma pesquisa sobre intenção de
voto para as eleições presidenciais que se aproximam indica a reeleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Genial/Quaest, se o segundo
turno acontecesse hoje, Lula teria 44% dos votos ante 38% do adversário Flávio
Bolsonaro (PL-RJ).
Neste
eterno alavantu e anarriê da quadrilha do jogo democrático, o governo continua
marcando o passo até o balancê.
[1] Professora do Departamento de Economia da
UFPB e pesquisadora do PROGEB (@progebufpb, www.progeb.blogspot.com; rospalhano@yahoo.com.br,
rosangelapalhano31@gmail.com). Colaboraram: Jéssica Brito, Ícaro Moisés,
Júlia Bomfim, Antonio Queiroz, Nelson Rosas, Maria Júlia Alencar, Maria Iane,
Sophia Maciel, Talita Ana, Vivian, Alyanne, Ana Carolina Oliveira, Ana Luiza,
Arthur Pessoa e Adrielio



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