domingo, 25 de abril de 2010

Será?

Semana de 12 a 18 de abril de 2010


Caro leitor, os números não mentem. O país está se recuperando da crise. A taxa de desemprego já é menor do que no pré-crise (7,1%), a produção industrial atingiu um índice de 126,57 pontos (2002=100) e as vendas no varejo alcançaram 167,36 pontos (2003=100).Dados como estes fazem analistas acreditarem que a economia crescerá em torno de 2%, do último trimestre de 2009, para o primeiro trimestre de 2010, o que corresponderia a uma taxa anualizada de 8,4%. Há quem diga, como o economista chefe da consultora Convenção, Fernando Monteiro, que o PIB vai crescer 7,1%. Já o economista chefe do J. P. Morgan, Fábio Akira, argumenta que, se confirmada essa variação positiva de 2%, o crescimento será de 6,5%. Este é o teto previsto pelo IPEA, que aponta como piso o mesmo valor, o que é também referendado pelo projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias. Um dos diretores do IPEA, João Sicsú, afirmou que o consumo das famílias e o aumento do emprego, da renda e do crédito servirão como motor deste crescimento. Sicsú apresentou esta previsão ao justificar o erro de previsão cometido pelo Instituto, em 2009, quando previu uma taxa de crescimento do PIB entre 0,2% e 1,2%. Na verdade esta taxa mostrou um decrescimento de -0,2%).
Tudo isso é reflexo das condições de produção e circulação dos produtos no mercado interno, visto que neste ano o saldo comercial já é 65,7% menor do que no ano passado. A média diária de exportações e importações, entre janeiro e abril de 2010, ante o mesmo período de 2009, cresceu 25,4% e 38,1%, respectivamente.
Apesar do fim da redução do IPI, o levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica afirma que 82% das empresas aumentaram suas vendas e o número de empregos atingiu 165,2 mil postos (nível pré-crise). A expectativa é de que o crescimento seja 11% maior do que o de 2009. Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos prevê que, mesmo com o fim do estímulo fiscal, ocorrerá um crescimento de 20% de encomendas no varejo, sendo que na linha branca esse aumento será de 25%, no primeiro trimestre de 2010, quando comparado com 2009. Já o Instituto Nacional de Distribuição de Aço, registrou um crescimento de 34% nas vendas de aço plano, no primeiro trimestre de 2010, quando comparado com o mesmo período de 2009. No setor têxtil a aposta é de crescimento de 4% a 5% em 2010.
Em conjunto com isso temos o aumento do número de horas pagas na indústria, que cresceu 1,5%, entre fevereiro e janeiro de 2010. No bimestre a alta foi de 0,7%. Isto denota que, antes de investir em expansão da capacidade produtiva, os empresários preferem aumentar a jornada, diante das perspectivas incertas quanto à robustez da atual recuperação. A Fiat, por exemplo, bateu o recorde de vendas de automóveis no início deste ano, com um total de 167,5 mil veículos, ante a cifra de 155 mil, em 2008. Mas, a produção da montadora até aqui ficou longe dos 190,3 mil carros produzidos em 2008, com um total de 171,8 mil em 2010. Isso é atribuído à antecipação do consumo, causada pelo IPI zero. "Para diminuir o uso de horas extras, que chegou a 52 horas semanais, segundo avaliação do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, a Fiat fechou no mês passado um acordo para admitir mil empregados definitivos até o fim de maio" (Valor Econômico, 13/04/2010).
O que dizem alguns é que esta cautela tem fundamento. O National Bureau of Economic Analysis (NBER), responsável pela datação do ciclo econômico norte americano, afirma que é muito cedo para comemorar o fim da depressão naquele país. Para ele "embora muitos indicadores tenham melhorado, ... seria prematuro afirmar que os dados já chegaram ao fundo do poço". O NBER define recessão como "uma redução significativa na atividade econômica por um período sustentável. O declínio seria visível no PIB, no mercado de trabalho, na produção industrial, no comércio e nos salários". São visíveis os motivos dessa preocupação: a economia conseguirá andar sem segurar a mão do governo? Lembremos que o BNDES aumentou em 37% o desembolso de recursos, atingindo R$25,497 bilhões, sendo que destes, R$9,9 bilhões (40%) foram para a infraestrutura (PAC) e R$7,7 bilhões para a indústria (30%).
Diante dos fatos, o que dizer da superação da crise? Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que tudo isso é fogo de palha?
Nos próximos meses saberemos as respostas.


Texto escrito por:

Lucas Milanez de Lima Almeida: Professor Substituto do Departamento de Economia da UFPB, Mestrando em Economia pelo CME-UFPB e membro do Progeb.
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Avatar, um sonho quase impossível ou simplesmente adiado?

Semana de 05 a 11 de abril de 2010



Será possível realizar a mais básica aspiração dos seres humanos que é a satisfação das suas necessidades de forma sustentável, em harmonia, equilíbrio e estabilidade?
No cenário internacional alguns destaques merecem a atenção do leitor. Nos Estados Unidos, continua débil a tendência para a recuperação do mercado de trabalho. Segundo pesquisa do Business Roundtable, entidade que reúne presidentes das grandes empresas note americanas, 29% dos associados revelam que pretendem aumentar seus quadros; 21% dizem que os vão reduzir e a metade pretende manter o número de empregados. A economia daquele país tem encontrado obstáculos significativos à sua retomada, dentre os quais a estagnação do setor imobiliário. Segundo o Presidente do Banco Central americano Ben Bernanke, numa situação ainda de estagnação, não há pressa para elevação da taxa de juro. Na economia européia, a retomada é morna, mantendo-se estável o crescimento do PIB, nos dois últimos trimestres, enquanto o Euro vem sofrendo pressões para desvalorização, um pouco por todo o mundo. Na semana em análise, sua cotação foi de R$ 2,3692, segundo as notícias veiculadas pela mídia, desde maio de 2002, foi alcançada. Na China, o terceiro maior banco em ativos, Banco Agrícola da China prepara-se para abrir o seu capital através de uma operação que poderá levantar US$ 29 bilhões e que será a maior do gênero já alguma vez registrada no mundo. Em 2009, aquela empresa financeira gerou um lucro líquido de US$ 9,5 bilhões. Até Cuba não consegue ficar alheia ao movimento de abertura que comanda a generalidade das economias do planeta. O setor açucareiro, deixará de ser estatal, para tornar-se de economia mista tentando atrair investidores.
Tudo que foge a essa regra permanece no mundo da ficção, como Avatar!
Quanto ao crescimento econômico, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE prevê para os países do G7 (EUA, Japão,Alemanha, Reino Unido,França Itália e Canadá), um crescimento fraco no PIB, nesse primeiro trimestre, de 1,95%. Para a economia dos Estados Unidos projeta-se uma taxa de 2,4%, no acumulado de janeiro a março, e de 2,3%, entre abril e junho. A maior parte do crescimento da economia mundial desse ano deverá decorrer do crescimento de países, que não constaram do relatório da OCDE, como o Brasil, a China e a Índia.
China e Brasil continuam a travar forte disputa por mercados. Em 2006, o Brasil exportou para o Chile US$ 207 milhões de dólares em telefones móveis e a China, US$24,6 milhões. No ano passado as exportações brasileiras caíram para US$84 milhões, enquanto as dos chineses subiram para US$ 217 milhões. No setor agrícola, finalmente, o Brasil conseguiu a redução de subsídios do governo americano aos seus produtores de algodão.
Internamente, no senado, foi aprovado o aumento da cota de participação brasileira no Fundo Monetário Internacional - FMI, e, consequentemente, o seu poder de voto naquele organismo internacional. No campo econômico a Ford no Brasil manifestou o propósito de investir um montante de R$ 4 bilhões, entre 2011 e 2015. Foi decidido o reaparelhamento das Forças Armadas brasileiras com efeitos positivos para a EMBRAER. As vendas de Pcs cresceram 33%, nesse trimestre e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADES aprovou a compra da Kaiser pela holandesa Heineken.
Em meio a isso tudo, o único elemento novo que pode alimentar um sonho de Avatar é a presença do autor da superprodução, o realizador canadense James Cameron, que veio ao Brasil e pediu ao presidente brasileiro que assuma o papel de "herói", anulando a construção, na Amazônia, da terceira maior barragem hidroelétrica do mundo, que, apesar de envolver riscos ambientais recebeu, no início de fevereiro, o aval do ministério do Ambiente.
Mas, lamentavelmente, o almejado mundo nos moldes de Avatar continua a ser um sonho quase impossível e somente alguns utopistas como o Sting, os ecologistas, além de naturalmente os índios das margens do Xingu, estão neste momento em sintonia com aquela petição.


Texto escrito por:

Elivan Gonçalves Rosas Ribeiro: Professora do Departamento de Economia da UFPB e Pesquisadora do PROGEB - Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. progeb@ccsa.ufpb.br.
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domingo, 18 de abril de 2010

O Brasil às Vésperas das Eleições

Semana de 29 de março a 04 de abril de 2010



A euforia política e partidária já começa a tomar conta do cenário nacional, puxada pelas velhas estratégias preliminares de troca de acusações entre candidatos, inaugurações de obras de caráter eleitoreiro, denúncias e manipulação de dados e pesquisas.
No jogo político, os indicadores econômicos e sociais são muito utilizados, seja como meios de angariar votos, seja como armas para a crítica da oposição, e não ocorrerá de maneira diferente nas eleições que se aproximam. Mais uma vez os problemas econômicos estarão no centro do debate político. Situação e oposição já começam a preparar os argumentos que serão usados em seus discursos.
Não foi a toa, portanto, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ganhou uma segunda versão chamada de PAC 2, formado por um conjunto de ações e medidas que, em sua grande maioria, já estavam previstas em sua primeira versão, mas que devido ao contingenciamento de recursos, e a incapacidade do governo, não foram realizadas. Dos 913 projetos previstos na nova etapa do programa para os setores de energia, transportes e recursos hídricos, 64% são provenientes da primeira fase, lançada em 2007. O PAC 1 estipulou investimentos da ordem de R$ 638 bilhões, até o final de 2010, mas, de acordo com o próprio governo, até final de 2009, apenas 40,3% das ações foram concluídas. Isto significa que em três anos, não se conseguiu realizar nem a metade daquilo que estava previsto para ser realizado em quatro anos.
Agora, no último ano, não por acaso ano de eleições, o governo lança o PAC 2 e começa a liberar de forma bem rápida os recursos que haviam sido contingenciados, em mais uma de suas estratégias de marketing político.
O afrouxamento dos gastos públicos, porém, é fonte de preocupação para o Banco Central (BC), que já espera uma taxa de inflação anual, acima do centro da meta de 4,5%, para 2010. A expectativa do BC já passou para uma taxa de inflação de 5,2%, neste ano, puxada pela demanda interna e elevação nas operações de crédito. Com isso espera-se também um aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 8,45%. De acordo com o próprio BC, ela deve encerrar o ano em 11,75%.
O setor de construção civil, por sua vez, vê com grande otimismo esse crescimento da demanda. O indicador do nível de atividade do setor registrou 53,2 pontos, em fevereiro. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), índices acima de 50 pontos indicam aumento no nível de atividade. Em janeiro a construção civil contratou 62.755 trabalhadores formais. Nos últimos 12 meses o nível de emprego no setor cresceu 11,57%.
Já os demais ramos industriais, não estão satisfeitos com os processos de fusões e aquisições no varejo brasileiro, os fabricantes temem perder seu poder de negociação com a criação de gigantes varejistas, como a que resultou da união entre o Pão de Açúcar, o Ponto Frio e as Casas Bahia. Para representantes da indústria, o aumento da concentração no varejo, deverá resultar em acordos de venda exclusiva entre indústrias e redes de lojas.
Às vésperas das eleições e em ano de copa de mundo, é provável que os problemas econômicos percam o foco e sejam tratados do ponto de vista político e eleitoreiro. Mas, enquanto isto ocorre, a economia continuará funcionando, a concorrência continuará atuando e novos fatos surgirão neste complexo processo que é o desenvolvimento, mesmo que, momentaneamente, esses problemas sejam esquecidos ou tenham a sua natureza desviada, durante este ano de acontecimentos extraordinários.



Texto escrito por:

Diego Mendes Lyra: Mestrando em economia, Professor Substituto do Departamento de Economia da UFPB e pesquisador do Progeb – Projeto globalização e crise na economia brasileira
Email: progeb@ccsa.ufpb.br
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terça-feira, 13 de abril de 2010

Os Sinais da Mudança de Fase do Ciclo Econômico Brasileiro

Semana de 22 a 28 de março de 2010



Em análises anteriores, estivemos acompanhando o surgimento de forças capazes de gerar uma crise complementar que, mesmo sendo deflagrada na Zona do Euro, afetaria todo o mundo, com diferenças de intensidade nos impactos causados em cada país. Até agora, entretanto, não surgiu o agente deflagrador do “novo mergulho”, o que não significa dizer que a situação de instabilidade foi ultrapassada.
A situação da Grécia continua má, com os agentes dos mercados de títulos perdendo gradualmente a confiança no país. Isto por que ela tem pouco tempo e muitos recursos para captar: € 11 bilhões até o fim de abril, para financiar dívidas vencidas e o déficit orçamentário. Neste cenário, o banco central grego prevê uma retração de 2% de seu Produto Interno Bruto este ano, mesmo nível de retração que se prevê para 2009. Tudo isto acabou refletindo, na bolsa de valores do país, que caiu 3% na segunda-feira passada.
Na Itália, por sua vez, a situação também preocupa. A Fiat, por exemplo, planeja demitir mais do que o esperado, eliminando 5 mil postos de trabalho no país, segundo a imprensa italiana. Além disso, o Banco da Itália estima que as autoridades locais possam estar expostas a perdas de € 1 bilhão em virtude de fraudes na emissão de derivativos complexos. Tal situação da economia italiana não é nada animadora, sabendo-se que sua razão Dívida/PIB é estimada em 116,9% pelo seu Ministério das Finanças. Ou seja, nem todo Produto Interno Bruto anual deste país é suficiente para o pagamento de suas dívidas.
Todavia, apesar de tudo o que foi exposto, como já dissemos, a crise complementar não foi deflagrada. E, sem esta restrição externa, o caminho da recuperação está livre para a economia brasileira. Com isto, os sinais desta recuperação, para a qual o país já se encaminhava, tornam-se cada vez mais claros.
Em janeiro deste ano, o crédito na economia brasileira teve uma expansão de 16,8% em relação a janeiro do ano passado. Em destaque está o crédito para pessoa física. Para se ter uma idéia, no Banco do Brasil, por exemplo, esta linha de crédito foi elevada em R$ 8,2 bilhões para atender à procura, que já atingiu os níveis do período pré-crise. Corroborando com o estímulo do crédito ao consumo, as taxas de juros para o consumidor atingiram o menor patamar desde o início da série histórica em 1994, 41,9% ao ano. Neste cenário, o Banco Central do Brasil prevê um crescimento de 18% do crédito este ano, sendo puxado por um crescimento de 21% do crédito à pessoa física.
No cenário produtivo, o consumo de energia da indústria, em fevereiro, cresceu 14,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo um consumo de 14,438 GW/h, patamar de consumo do período pré-crise. Em virtude da recuperação da atividade econômica nos últimos meses, os pedidos de seguro desemprego caíram 33%, de agosto de 2009 a janeiro deste ano, mostrando que as demissões estão reduzindo seu ritmo. Não é a toa que, segundo pesquisa feita pela Confederação Nacional das Indústrias, CNI, o medo de perder o emprego por parte dos brasileiros teve queda de 4,1%, no primeiro trimestre do ano, em comparação com o último do ano anterior.
Ao que tudo indica, portanto, estão se preparando as condições necessárias para a retomada dos investimentos. Confirmando esta idéia, uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Fundação Getúlio Vargas, FGV, mostra que o setor industrial planeja investimentos, contratações e reorganizações produtivas capazes de ampliar seu potencial produtivo em 14,6%, em média, tratando-se do maior percentual apurado nos últimos anos, segundo a instituição.
Concluímos, em virtude disto, que a retomada de confiança do setor financeiro, o aumento da produção e o vislumbre do início da retomada dos investimentos da economia brasileira indicam que o ciclo econômico desta economia encontra-se, atualmente, no limiar que divide a fase de depressão da fase de reanimação. Só a concretização dos planos de investimento poderá nos dar a certeza desta transição. Contudo, chamamos a atenção para o fato de que não só é possível que o aparecimento de um agente deflagrador de um novo mergulho deforme a fase de reanimação do ciclo econômico brasileiro, como também é possível o impedimento da transição, embora a probabilidade de ocorrência deste último seja, ao nosso ver, bastante reduzida.


Texto escrito por:
Antonio Carneiro de Almeida Júnior: Economista, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Econômico da UFPR, PPGDE/UFPR, e pesquisador do PROGEB - Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira.

Email: progeb@ccsa.ufpb.br

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Entrevista do professor Nelson Rosas Ribeiro, coordenador do PROGEB, ao JPB

No Programa de 07/04/2010 do JPB, na TV Cabo Branco, o Prof. Dr. Nelson Rosas falou sobre o preço da cesta básica na cidade de João Pessoa. Confira no link abaixo:


http://jpb2.cabobranco.tv.br/index.php?ev=1&d=2010-04-07

[Aumento de preço]
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Participação do PROGEB no 2º ENECOST

O PROGEB participará a partir de amanhã, 14, do 2º Encontro de Economia de Serra Talhada, na Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Serra Talhada - UAST/UFRPE. O evento ocorrerá de 14 a 16 de Abril, tendo a participação de 4 membros do PROGEB, dois professores conferencistas e dois pesquisadores em apresentação de trabalhos científicos. As conferências apresentadas será a de abertura, pela Professora Drª Elivan Ribeiro, com o tema "As mudanças socioeconômicas recentes da economia mundial e a dinâmica brasileira: desafios e perspectivas"; e o Prof. Dr. Nelson Rosas Ribeiro, participando da mesa de encerramento sobre "Recuperação da Economia Mundial e o Contexto Brasileiro". Os pesquisadores Lucas Milanez e Eric Gil apresentarão os artigos "A balança comercial brasileira de 1980 a 2009: uma análise baseada na teoria marxiana do ciclo econômico" e "A renda fundiária na visão de Marx", respectivamente.


Site do evento: http://www.2enecost.com.br

Sigam o PROGEB no Twitter: @progeb
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

A contenção do déficit orçamentário: missão impossível?

Semana de 15 a 21 de março de 2010

Não há grandes novidades a referir quanto ao momento que a economia mundial está atravessando. Continuamos na marcha lenta, sofrida, contraditória, de uma fase de recuperação muito especial. Já alertamos os leitores para isto e o quadro atual confirma as nossas previsões. O desemprego permanece estável. A Organização Mundial do Trabalho divulgou um estudo mostrando que, entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2009, sem considerar a Índia e a China, desapareceram 16 milhões de empregos no mundo. O estudo cobriu 56 países, que respondem por 70% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Deste total de desempregados, 9,4 milhões corresponderam ao setor industrial. Mas não é só isso. As empresas estão descapitalizadas, os bancos ainda amargam os prejuízos decorrentes de suas aventuras especulativas e os governos estão falidos. A avalanche de recursos que se espalhou na tentativa de salvar o sistema financeiro teve um efeito extremamente perverso: impediu que a crise cumprisse integralmente o seu papel de sanear as economias e destruir o capital excedente incapaz de produzir lucro. O que fazer agora?
A Comissão Européia (CE), órgão executivo da União Européia (UE), vem tentando desesperadamente por ordem na casa. Vários alertas têm sido emitidos na tentativa de controlar os déficits orçamentários e mantê-los dentro do limite de 3% do PIB, como está determinado por todos os países da UE. A tarefa torna-se inglória, pois a própria Alemanha, principal defensora da restrição, vem lutando, sem sucesso, para controlar o seu déficit, que está estimado em 5,5%, para o ano de 2010. Eles já falam até em cortar os gastos com a defesa. A CE expressa suas desconfianças em relação aos cálculos feitos para as previsões de crescimento do PIB de países como Alemanha, França, Itália e Espanha. Indaga também como a Espanha conseguirá reduzir o seu déficit, que é estimado em 11,4% do PIB em 2010, para 3% em 2013. Além disso, questiona as medidas propostas pela Áustria, Bélgica, Irlanda e Holanda para ajustar seus “rombos” aos 3% permitidos. E isto para não falar na Grécia, caso mais grave do bloco. E não é para menos. A desconfiança espalha-se, e todos procuram esconder seus déficits manipulando as contas nacionais, enquanto procuram cortar despesas. Alguns, como Portugal e Grécia, já decidiram congelar os salários dos funcionários e agora enfrentam os movimentos sociais de protesto. O pânico do rombo dos orçamentos levou os 27 países membros da UE a decidir retirar gradualmente, a partir da segunda metade deste ano, os estímulos fiscais de emergência adotados nos anos de crise, mesmo correndo o risco do duplo mergulho.
Por seu lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere, aos países do G-20, um ajuste fiscal através do corte de despesas e de um aumento de receitas de 6% ao ano durante os próximos 20 anos. O objetivo é passar de um déficit de 3,5% do PIB, em 2010, para um superávit de 4,5% em 2020. Preocupado, o presidente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, lamentou-se, em um pronunciamento feito no Parlamento Europeu, dizendo que, 18 meses após o início da crise, “estamos em um crítico momento da história”.
Para aumentar as receitas, outra fonte vem sendo sugerida: a venda das participações que os governos têm em empresas nacionais. Prevê-se uma nova onda de privatizações no desespero da busca do equilíbrio orçamentário.
Nos EUA, voltam a surgir notícias de recuperação da economia, mas apenas com estabilização do desemprego e algum aumento dos gastos das empresas com equipamentos. Apesar desses sinais, o Federal Reserve (Fed), Banco Central americano, resolveu manter a taxa de juros básica no mesmo nível atual, isto é, entre zero e 0,25%. No entanto, a economia enfrenta novas dificuldades diante do deslocamento de setores de alta tecnologia para a China, como a Applied Materials, uma importante empresa do Vale do Silício que está se transferindo para lá com os olhos no novo mercado e à procura de vantagens como o os baixos salários e os subsídios oferecidos pelo governo. Este é o caso também da NatCore Technology de Nova Jersey, que trabalha com energias alternativas.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a taxa de decrescimento do PIB do país ou, eufemisticamente, a taxa de “crescimento negativo” (como rabo de cavalo), de -0,2% para 2009. Nenhuma autoridade do país veio a público pedir desculpas por terem iludido todo o povo prometendo uma taxa de crescimento do PIB de 4% ou 5% para o ano. Onde se esconderam os Mantegas, Bernardos, Meirelles, Lulas e instituições como o próprio Ipea?
Ainda sob o impacto do fiasco, a contragosto, o Banco Central do Brasil (BCB), na reunião do Copom, por apertada maioria, resolveu imitar o Fed americano e manter a taxa de juros básica (Selic). A pequena diferença é que o Fed manteve os 0,25%, e o nosso BC, os aberrantes 8,75%.
Mas o ambiente econômico apresenta-se otimista. Os estímulos dados pelo governo estão cumprindo sua função. O mês de março caminha para bater o record na venda de carros, pois é o último mês de IPI reduzido, e as empresas automobilísticas estão fazendo todo tipo de promoção. A Fiat ampliou os prazos de financiamento de seus veículos para 72 meses. A Ford resolveu não cobrar entrada e adiar o pagamento da primeira prestação para depois da Copa, no que foi imitada pela Voskswagen, e a GM promete reduzir o IPI em dobro. A sobretaxa de US$ 13,80 para cada par de sapatos importados da China, criada pelo governo, animou a indústria de calçados a voltar a investir visando as exportações. Já a agroindústria não teve a mesma felicidade. A lei Kandir que isenta de ICMS apenas os produtos primários para exportação, facilita os exportadores de grãos e pune a agroindústria, que perde a competitividade.
O BNDES, por seu lado, cumprindo as determinações do governo, esforça-se despejando R$ 18,2 bilhões nos estaleiros, financiando a produção de navios para apoio à exploração de petróleo e gás. O desembolso total do BNDES, em 12 meses encerrados em fevereiro, chegou a R$ 143,3 bilhões, 53% a mais que no mesmo período anterior. A construção civil, com a ajuda dos financiamentos da Caixa e do Banco do Brasil, está em grande expansão, estimulando os setores a ela ligados e assumindo a liderança na criação de empregos.
Com este embalo, o problema é saber até quando o orçamento do país suportará manter os estímulos e se eles continuarão a produzir os efeitos desejados pelo menos até as eleições.

Texto escrito por:
Nelson Rosas Ribeiro: Professor do Departamento de Economia da UFPB e coordenador do Progeb-Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira
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