quarta-feira, 17 de outubro de 2012

“Risco alarmante” de recessão mundial


Semana de 08 a 14 de outubro de 2012


Nelson Rosas Ribeiro[i]



A afirmação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou o seu relatório “Panorama Econômico Mundial”. Neste relatório o FMI alerta para o “risco crescente e alarmante de uma desaceleração mais forte da atividade global” e passa a revisar para baixo as estimativas das taxas de crescimento da economia mundial, de 3,9%, para 3,6%. Para o Brasil, esta revisão foi, de 2,5%, para 1,5%. Além disso, o Fundo teme que os países da União Europeia (UE) não consigam superar o que chama de “abismo fiscal”.
O Banco Mundial (BM) também divulgou sua visão igualmente pessimista. Para a Ásia e Pacífico, as taxas de crescimento do PIB para este ano foram reduzidas, de 7,6%, para 7,2%. Para a China, de 8,2%, para 7,7%. O BM confirma a desaceleração das economias da área e teme uma “freada mais profunda da China”.
A terceira organização internacional a divulgar suas estimativas para os 34 países membros foi a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), através de seu Índice de indicadores antecedentes. Entre julho e agosto, o índice, para todos os países, caiu, de 100,2, para 100,1 e, para a zona do euro, de 99,5, para 99,4.
Mas, não apenas as grandes instituições internacionais divulgaram perspectivas negativas. O índice de acompanhamento Brookings Institution-Financial Times mostrou uma séria ameaça de recaída em recessão global. O índice Tiger (Traking Indices for the Global Economic Recovery) mostrou uma queda no ritmo da economia global. Segundo o Professor Eswar Prasad, do Brookings Institution, “a economia mundial pode em breve ir à lona”.
Neste clima, ocorreu, no fim de semana passada, em Tóquio, a reunião anual do FMI e do BM, sem a presença dos representantes das instituições financeiras da China. A ausência foi um protesto dos chineses por causa da disputa territorial que envolve os dois países. Aliás, este boicote já atingiu as importações do Japão, o que causou grandes prejuízos às empresas montadoras japoneses. Em outubro, comparado a setembro, as vendas despencaram em 48,9% na Toyota, 35,3% na Nissan, 63% na Mitsubishi e 36% na Mazda. O JP Morgan calcula que, entre outubro e dezembro, as exportações japonesas para a China cairão 70%. O FMI já demonstra preocupação com as consequências para o comércio mundial e alertou os dois países da necessidade urgente de encontrar uma solução para o conflito.
Mas, há quem continue a apostar na deterioração geral das economias: o “Mercado financeiro”. Agora a moda é tratar a especulação com uma linguagem gourmet. Fala-se no banquete, no apetite para degustar iguarias com mais ou menos pimenta e temperos e no apetite por títulos de alto risco, mas que prometem altos rendimentos ou “high yields”, como fica mais elegante dizer. Excitados com o apetite do mercado, instituições como o BB Securities, Bradesco BBI, SBTG Pactual, Deustche Bank, HSBC e Itaú BBA afiam as garras para intermediar o lançamento dos títulos de alto risco que a construtora brasileira OAS pretende fazer (US$ 300 a US$ 500 milhões) e que oferecem rendimentos de 9% ao ano. Estima-se que os lançamentos deste tipo, na América Latina, já atingem os US$ 3,34 bilhões. Esquecidos dos estouros dos últimos anos ou convencidos que, nos casos negativos, os solícitos BCs vêm imediatamente em socorro dos acidentados, os “investidores” atiram-se vorazmente também aos títulos das dívidas soberanas dos países falidos, seguindo os mesmos critérios. E ficam na torcida que uma agência de classificação de riscos qualquer baixe as classificações dos países como é o caso atual da Espanha, que foi rebaixada pela Standard & Poor’s, de BBB+ para BBB-, o último degrau antes do nível “junk” (lixo). O resultado é que, enquanto a Alemanha paga por seus títulos um yield de 0,61%, os espanhóis terão de pagar 5,81% de yield, ganhando dos italianos, que pagam 5,10% por papeis semelhantes.
            Enquanto isso, por cá, o BC continua a luta para impedir a valorização do real, intervindo no mercado de câmbio e baixando a taxa Selic, de 7,5%, para 7,25%. A recuperação da indústria se arrasta, e o volume das contratações não aumenta. E o pior de tudo é que, além disso, é preciso controlar a inflação e forçar a retomada do crescimento.


[i] Professor do departamento de Economia, Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).

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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Recuperação?


Semana de 01 a 07 de outubro de 2012


Rosângela Palhano Ramalho[i]



            Caro leitor, é de conhecimento comum que a crise econômica produz vencedores e perdedores. Enquanto a grande maioria da população torce para que a saída da crise aconteça o mais rápido possível, “investidores” do mundo inteiro torcem pelo afundamento da economia espanhola. O possível rebaixamento pela Moody´s dos papéis da Espanha para o conceito junk, que os classificaria como de alto risco e, por isso, de alto rendimento, gera grande expectativa no “mercado”. Todos (os que ganham com a desgraça alheia) estão torcendo para que o “mercado”, que movimenta € 250 bilhões na Europa, seja impulsionando e se torne semelhante ao dos Estados Unidos, que gira US$ 1,2 trilhão.
            Por outro lado, economistas e governos continuam na expectativa de como e quando se dará a recuperação econômica. Será em U, V, W, L? O fato é que alarmes falsos soam a todo o momento. Os EUA já anunciaram várias vezes a sua recuperação considerando a melhora das estatísticas e várias vezes tiveram que desmenti-la.
Aqui no Brasil, desde a semana passada, chovem informações afirmando que a nossa recuperação começou. Esta, pelo menos, é a visão da maioria, inclusive a do governo. O avanço de 1,5% da produção industrial, de julho para agosto, é o melhor resultado, desde maio do ano passado, segundo o IBGE. Vinte dos vinte e sete segmentos industriais pesquisados aumentaram suas atividades no período. Conforme André Luiz Macedo, gerente da coordenação da indústria do IBGE, há setores com estoques elevados, outros com exportações em queda e com dificuldades diante da competição com os importados.
            Outro fato deve ser levado em consideração: a melhor performance aconteceu no setor automotivo que cresceu 3,3%, com a perspectiva do fim da redução do IPI, em agosto. Mas a informação mais atual que temos do setor dá conta de que as vendas de carros despencaram, em setembro, caindo 31,5%, comparadas a agosto. As vendas de caminhões, segundo a Fenabrave, continuaram caindo. Na comparação com agosto, a queda foi de 25,5%. Já as vendas de ônibus, caíram 36,8%, na mesma comparação.
            Outro dado (já de setembro), que não reforça o cenário de recuperação propagado por muitos, vem da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo o órgão, o nível de estoques da indústria, em setembro, ficou praticamente estável, em relação a agosto, ou seja, o nível de estoques permanece alto. Mesmo assim, os empresários estão mais “confiantes”. O Índice de Confiança da Indústria, também apurado pela FGV, cresceu 0,9%, entre agosto e setembro.
            Mas, para nós, a informação mais relevante vem do setor de bens de capital que cresceu apenas 0,3%, em agosto. Este é um sinal de que os investimentos não estão se recuperando. De fato, a produção de máquinas e equipamentos encolheu 2,6% no período. Mesmo assim, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita na “recuperação gradual”. Segundo ele, “Deixamos para trás o período de crescimento fraco, agora o crescimento começa a acelerar e vai nessa direção até o fim do ano.” O ministro também afirmou que os analistas que esperavam um crescimento maior, entre 1,6% e 2,6%, projetaram “mal”.
            Sinalizando insegurança em relação às estatísticas publicadas, o governo planeja aumentar a taxa de investimento da economia em 10%, no próximo ano, o que elevaria o estoque para próximo de 20% do PIB. A taxa de investimento real vem caindo, desde o segundo trimestre de 2010. Até o início de 2013, novas medidas serão anunciadas, para a redução dos custos de produção através da unificação da Cofins e do PIS e da unificação, em 4%, da alíquota interestadual do ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços As desonerações de impostos continuarão e se tornarão permanentes para o setor de bens de capital. A depreciação acelerada desses bens poderá ser estendida até 2013.
            Como vimos, a passagem da crise para a fase de recuperação não é tão simples assim. Muito se comemora, mas o crescimento de apenas 0,2% e 0,4%, no primeiro e segundo trimestre deste ano, nos pede cautela. E mais cautela ainda quando olhamos para a queda da indústria, de 2,5%, no segundo trimestre. É óbvio que, como economistas e brasileiros que somos, torcemos por uma recuperação rápida e breve. Mas o 1,5% do crescimento industrial de agosto não permite que afirmemos que já estamos na fase de reanimação do ciclo econômico. Por esta razão termino esta análise com uma dúvida.
            Recuperação?


[i] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O chamado “capital fictício”


Semana de 24 a 30 de setembro de 2012


Lucas Milanez de Lima Almeida[i]




            Para entender melhor a crise, vamos recorrer a um conceito criado por um autor que, até 2007, foi considerado ultrapassado, mas, com a crise econômica, se tornou atual. Segundo Karl Marx, capital é “o valor em progressão”, aquele que tem como “objetivo de vida” a sua auto expansão. Isto é possível graças ao trabalhador, que, numa jornada de trabalho, produz mais riqueza do que aquela que foi gasta com ele, como salário. Esta é a mais-valia, que é extraída dos trabalhadores no processo de produção. Porém, para crescer, o capital, além da forma produtiva, tem que assumir as formas dinheiro, para a compra da fábrica e a contratação dos trabalhadores, e a forma mercadoria, que é resultado da produção e deve ser vendida para a obtenção de lucro. Esta é a base da valorização do capital.
            O problema é que, junto com esta forma de crescer, surgiram outras que pouco, ou nada, têm a ver com a criação de riqueza. Em 1894, numa nota de página no Livro 3 de O Capital, Engels já alertara para as “sociedades financeiras” que operavam na Bolsa de Londres, ao afirmar que o capital das empresas havia se multiplicado duas ou três vezes, apenas com a especulação de títulos.
            Segundo o dicionário financeiro, títulos “são papéis vendidos pelos governos ou empresas ao mercado financeiro para obter recursos financeiros. Um título é como se fosse um contrato de empréstimo no qual o tomador do recurso faz uma promessa de pagamento, à ordem da importância emprestada, acrescida de juros convencionais (estipulados no contrato), caso este título seja prefixado, e dos juros mais correção monetária, caso seja pós-fixado”. As empresas emitem vários tipos de títulos (com as mais diferentes nomenclaturas) para arrecadar recursos que serão destinados à ampliação da produção. Neste caso, o título representa capital. Porém, nada obriga o portador a permanecer com ele. Pelo contrário, existem vários tipos de mercados secundários, onde os papéis são negociados com terceiros, quartos, quintos, etc. antes do pagamento dos juros combinados, e por um valor diferente do inicial. Nestes casos, por pura especulação, quando o valor recebido pelo título é superior ao valor pago inicialmente, ou seja, quando o valor se expande na compra e venda de papéis, e não pelo recebimento de parte da mais-valia (juros), surge o capital fictício.
            Se, com o título de uma empresa, há motivos para desconfiar desta valorização fictícia, o que pensar dos papéis emitidos pelos Estados? Os títulos públicos, em sua maioria, não são emitidos para captação de recursos para produção de excedente. Estes, a partida, são capitais fictícios, que pagam juros aos seus proprietários, com os tributos da nação.
            Mas, o que faria os agentes econômicos cometerem tais loucuras? Por incrível que pareça, esta é uma resposta gastronômica: o “apetite por risco” do mercado. Quando o mercado perde o apetite, há aversão ao risco, diminui a especulação e há uma corrida para os ativos mais seguros, como ocorreu com as commodities em 2010, quando os EUA fizeram o segundo afrouxamento monetário. Quando o apetite cresce, aumenta a especulação. Um grupo de investidores está com água na boca, à espera do rebaixamento dos títulos espanhóis ao status de “junk”, que tem alto risco de calote, mas, alto rendimento.
            Que delícia!
            O dinheiro destinado a esta atividade vem de várias fontes: das reservas das empresas, do setor bancário, das pessoas físicas, dos fundos de investimento, dos fundos de pensão, etc. Por exemplo, a Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) tem um patrimônio de R$ 153,5 bi, sendo sua carteira de ações de R$ 90 bi. As políticas monetárias expansionistas também têm contribuído com trilhões de dólares para alimentar esta especulação.
            Aqui no Brasil, o “mercado” anda reclamando, pois o governo não está dando sinais claros sobre a condução das políticas econômicas, e isto pode se tornar um problema. Referindo-se às medidas de estímulo econômico, Nogueira Batista, do IBGC, disse que “O governo e as agências reguladoras precisam aprender a se comportar”, pois, “Tudo o que o governo fala tem poder direto sobre as ações, gerando ou destruindo valor”. Veja-se, por exemplo, as perdas superiores a 40% no Ibovespa, de algumas empresas energéticas, após declarações do governo. É aquela história, “a notícia é tão ruim que perdi até a fome”.
            Se os “investidores” soubessem tudo o que o governo irá fazer no futuro, eles não teriam surpresa e poderiam aplicar seu dinheiro onde fosse mais vantajoso para eles: títulos públicos ou especulação.
            Coitados dos “investidores”! Apesar de destinar 43% do orçamento ao pagamento de juros e amortização da dívida pública, o governo é muito mau com eles.


[i] Professor do Departamento de Economia da UFPB e pesquisador do Progeb. (www.progeb.blogspot.com.)
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

“Guerra cambial”, o retorno


Semana de 17 a 23 de setembro de 2012


Eric Gil Dantas [i]




Em 2010, assistimos o primeiro capítulo da saga da “guerra cambial”, quando o Federal Reserve (FED), banco central estadunidense, injetou US$1,725 trilhão na economia dos EUA. Agora, no retorno desta guerra, o FED não está sozinho.Na artilharia de frente temos o reforço da terceira maior economia do mundo. O Banco do Japão (BoJ) se tornou o mais recente BC a afrouxar a política monetária, com um programa de compra de ativos que deverá adquirir 80 trilhões de ienes (US$1 trilhão), para ajudar a moribunda economia nipônica.
Além destes dois BCs, outros dois são aguardados para compor a frente de combate: o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra. O BCE disse, no início do mês, estar preparado para comprar títulos dos países da zona do euro que precisem de ajuda para controlar seus custos de captação. O anuncio das medidas de estímulo a serem tomadas pelo BC britânico é também aguardado para breve.
Aqui, o contra-ataque já foi armado. O governo brasileiro tomou medidas para evitar que as possíveis ondas resultantes do afrouxamento do FED contribuam com a valorização do real, promovendo os chamados swaps cambiais reversos. Além disto, Mantega já voltou a atacar o QE3 em entrevista ao Financial Times. No Peru, já foram acionadas estratégias para também desvalorizar sua moeda, o sol peruano. Já a Turquia anunciou corte maior do que o esperado, nos juros.
Este novo capítulo demonstra que a crise global ainda está forte. O economista estadunidense Joseph Stiglitz, prêmio Nobel em 2001, declarou em entrevista que a crise está longe de acabar. Ele lembrou que parte da população americana ainda tem dificuldades para encontrar emprego em tempo integral, ocupando-se apenas com empregos periódicos, o que esconde uma situação ainda pior do que os 8% de taxa oficial de desemprego. A isto somamos a queda da produção mensal na indústria dos EUA de 1,2% em agosto, a maior queda desde março de 2009, e a queda de 1% na utilização da capacidade instalada da indústria.
Na zona do euro, o Índice dos Gerentes de Compras (PMI) Composto – que agrega dados do setor industrial e de serviços – caiu para 45,9 em setembro, ante os 46,3 pontos de agosto, segundo a Markit Economics, indicando contração (por ser menos que 50 pontos). É o ritmo mais acelerado de declínio desde junho de 2009.
A China e o Japão também mostraram enfraquecimento. O indicador antecedente da atividade industrial do HSBC sugere que o setor deve se contrair, aumentando os sinais de que a economia chinesa está desacelerando pelo sétimo trimestre consecutivo. No Japão, as vendas externas recuaram 5,8%, o terceiro declínio seguido, o que fez o país ter mais um déficit comercial. Além disto, os embarques para a Europa caíram mais de 20% e para a China cederam quase 10%.
No Brasil, as incontáveis desonerações feitas pelo governo parecem aliviar um pouco os estoques da indústria, fazendo-os recuar 0,5% em agosto, ante julho. Bráulio Borges, economista-chefe da LCA, já prevê alta entre 1,5% e 2% para a indústria em agosto. Esta declaração encorpa as projeções do Ministério da Fazenda, que já estima uma aceleração do PIB nos dois últimos trimestres de 2012, com o crescimento de 1% e 1,3% no terceiro e quarto trimestres, respectivamente, o que faria o PIB de 2012 fechar com um crescimento de 2%.
Mas, o que ocorrerá quando se esgotarem os estoques que estavam empilhados em seus armazéns? Com esta conjuntura internacional adversa, será que os capitalistas irão investir? Em uma economia globalizada, como a do século XXI, nenhum país sairá da crise isoladamente sem a companhia dos demais.
O único efeito que talvez seja permanente, com esta política de isenções fiscais, seja a precarização, ainda maior, da Previdência Social. A partir de 2013, cerca de 40 setores deixarão de pagar contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de pagamento.
            Agora é só esperar o discurso de que o aposentado é o problema do Brasil.


[i] Economista e pesquisador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira (progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ministro conta piada e cai do cavalo


Semana de 10 a 16 de setembro de 2012


Nelson Rosas Ribeiro[i]




A piora da situação internacional, finalmente, está provocando a ação drástica das autoridades responsáveis pelas políticas monetárias e fiscais dos governos de todo o mundo.
Nos EUA, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu intervir novamente, no mercado, sob a forma de um novo “afrouxamento monetário” (quantitative easing), o QE3. Isto significa que vão imprimir mais dólares para “aumentar a liquidez do mercado”. O Fed pretende retomar a compra de títulos podres até um montante de US$ 40 bilhões, por mês, sem prazo definido para terminar, ou melhor, até que o “mercado” se recupere.
E não ficou só. O Banco Central Europeu (BCE), vencendo a resistência dos conservadores alemães, também passará a intervir no mercado comprando títulos das dívidas soberanas dos países mais necessitados, os pigs, em primeiro lugar. Com isto pretende dar credibilidade aos títulos e assim reduzir os juros pagos pelo financiamento dessas dívidas, no “mercado”, é claro. O grande empurrão para isto foi a decisão da Corte Constitucional da Alemanha, que aprovou a criação do European Stability Mechanism (ESM), fundo de emergência temporário destinado ao socorro aos mais necessitados. Este fundo disporá de €$ 500 bilhões para cumprir sua missão. Mas o problema europeu não está resolvido com isto. Comenta-se que, destes 500, €$100 bilhões estão comprometidos com o socorro aos espanhóis, restando apenas €$400 bilhões para todo o resto, incluindo a Itália. A pior notícia, porém, vem das previsões sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), feitas pelo BCE. Segundo estas, o “crescimento”, para 2012, será negativo, entre 0,2% e 0,3%. Para 2013, o BCE prevê entre, 0,3 negativos e 1,4% positivos. Os leitores sabem que o “crescimento negativo”, para os economistas, é mesmo DECRESCIMENTO. O desespero atinge todos os BCs do mundo e o lamento é geral: os manuais de economia não estão fornecendo as respostas para superar a crise. Apesar de não haver declaração explícita, nas entrelinhas, torna-se evidente que todos admitem que ela é de superprodução, e o que se pretende é provocar o aumento da demanda, quer das empresas, dos governos ou das famílias. Já há quem defenda que, para obter este resultado, todas as soluções são válidas, mesmo as mais radicais simbolizadas no “jogar dinheiro de helicóptero”.
Apesar dos esforços do governo Dilma, esta situação está tendo fortes repercussões, no Brasil. Mesmo aparentando haver certa tranqüilidade, no mercado de trabalho, a produção industrial está estagnada, alguns setores demitem, o crédito é limitado, etc. As preocupações do governo cresceram ao ponto de conduzir o teimoso ministro Mantega a rever as suas previsões para o crescimento do PIB, deste ano. No final do ano passado, o ministro afirmava que o crescimento deveria chegar perto dos 5%. Já em janeiro, quando o mercado calculava em 2,9%, Mantega reduziu suas previsões para algo entre 4,0% e 4,5%. A partir de junho, o BC já calculava o número em 2,5%, sob as críticas do ministro de que os cálculos estavam mal feitos e ele acreditava que superaríamos os 2,7%, de 2010. E quando o Banco Credit Suisse estimou em 1,5% a taxa, Mantega considerou-a “uma piada”. Logo depois o ministro passou a fixar seu número mágico em 3%. Finalmente Mantega caiu do cavalo, ou melhor, caiu na real. Reduziu sua previsão, de 3%, para 2%, quando o mercado já as estima rigorosamente em 1,62%. Onde está a piada?
A solução, agora, é correr contra o prejuízo. Está justificado assim, o pacote de bondades com que o governo presenteia o setor empresarial: prorrogação das reduções de impostos, desoneração das folhas de pagamento, mesmo a custa do “rombo da previdência”, (que ninguém fala), redução dos juros, liberação de linhas de financiamento, redução das tarifas de eletricidade, etc. Justifica-se a irritação da presidente Dilma, com as críticas do “mercado” e de algumas empresas do setor elétrico, que reagiram mal ao novo plano de redução das tarifas que, convenhamos, beneficia a todos.
            Haja ingratidão!


[i] Professor do departamento de Economia, Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira progeb@ccsa.ufpb.br); (www.progeb.blogspot.com).
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Globalização e crise na economia


Semana de 03 a 09 de setembro de 2012


Rosângela Palhano Ramalho[i]



            Desde 2008, que a crise é assunto predominante no noticiário econômico e tem pautado a agenda de praticamente todos os governos do mundo. Estamos em 2012, e o tema está longe de ser encerrado. A globalização torna a crise cada vez mais integrada: começou nos Estados Unidos, afetou a Grécia e contaminou a Europa, comprometeu o crescimento dos emergentes e desacelerou o gigante chinês.
            A crise europeia se arrasta, e a situação econômica da Espanha vem exigindo que o Banco Central Europeu tome medidas adicionais para garantir a liquidez da região. Nos Estados Unidos, o presidente do Fed, BC americano, ressalta que só uma situação de emergência justificará um novo afrouxamento monetário. Em agosto, a produção industrial caiu pelo terceiro mês consecutivo, e as estatísticas geram dúvidas acerca da recuperação.
            No Brasil, o cenário também é incerto. As montadoras de caminhões seguem interrompendo a produção. A Mercedes-Benz paralisou as atividades em São José dos Campos. A fábrica da Ford adotará até este mês a semana curta, de quatro dias de trabalho. A Scania parou por 16 dias entre abril e julho. As dificuldades estão se estendendo para os fornecedores, que estão desempregando seus trabalhadores.
            A produção industrial cresceu apenas 0,3% em julho, comparado a junho. Este resultado só não foi negativo em 0,5% por causa dos incentivos à indústria automobilística e aos produtos da linha branca. Nos setores exportadores, a queda da produção foi mais expressiva em virtude da diminuição da procura externa. Do ponto de vista das compras externas, dados divulgados pelo IBGE apresentam um cenário preocupante: a produção doméstica vem perdendo cada vez mais espaço para as importações. No segundo trimestre de 2011, a participação, no PIB, da indústria extrativa e indústria de transformação representava 18,6% do total. Já no segundo trimestre deste ano, esta participação caiu para 17%. Em contrapartida, aumentou o peso das importações, no mesmo período, passou, de 14,2%, para 16,6%. A queda da participação da indústria no PIB justifica a queda de 0,3%da Formação Bruta de Capital Fixo nos últimos 12 meses terminados em julho.
            As más notícias não cessam. O Boletim Focus do Banco Central revisou para baixo, pela quinta vez consecutiva, a previsão de crescimento do PIB. A estimativa caiu, de 1,73%, para 1,64%. Embora o governo acredite em retomada do crescimento no segundo semestre do ano, o panorama geral reforça a descrença de que isto ocorrerá, apesar da redução dos juros, da desvalorização do câmbio e dos benefícios tributários concedidos à indústria. Pelo menos por enquanto, permanece o cenário de crise.
            Mas, no cenário local, temos uma novidade para anunciar. O PROGEB - Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira, do Departamento de Economia da Universidade Federal da Paraíba, comemorará, em grande estilo, os seus 10 anos de existência. O acontecimento comemorativo terá como tema central a atual crise econômica e seus efeitos políticos, econômicos e sociais no Brasil e no mundo, e em particular, na União Europeia. O evento internacional, intitulado ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE GLOBALIZAÇÃO E CRISE NA ECONOMIA, será realizado no Auditório 211 do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da UFPB, Campus I, João Pessoa, nos dias 17 a 21 de setembro de 2012. Marcarão presença no evento professores, profissionais e autoridades, de Portugal e do Brasil, com comprovado reconhecimento nas suas respectivas áreas. O Encontro inclui em sua programação a realização da Assembleia Universitária para a outorga, ao Professor Nelson Rosas Ribeiro, do título de Professor Emérito da UFPB, proposto pelo Departamento de Economia. Além disso, será lançado o livro “Questionando as teorias da dependência e da financeirização: o Brasil na encruzilhada do desenvolvimento do capitalismo”, de autoria do professor Frederico Jayme Katz.
            O PROGEB, que nasceu em 2002, dá vida à coluna semanal Análise & Conjuntura Econômica deste jornal e tem como principal objetivo estudar a evolução da economia brasileira contemporânea integrada na economia mundial. As atividades serão abertas ao público em geral e fica aqui o nosso convite. Para maiores informações, consultem os endereços: www.progeb.blogspot.com e www.facebook.com/PROGEB.


[i] Professora do Departamento de Economia da UFPB e pesquisadora do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira. (www.progeb.blogspot.com)
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Convite para o ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE GLOBALIZAÇÃO E CRISE NA ECONOMIA


PROGEB convida a todos para participar do ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE GLOBALIZAÇÃO E CRISE NA ECONOMIA, que será realizado no Auditório 211 do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), campus I, João Pessoa, nos dias 17 a 21 de Setembro de 2012 e contará com a participação de Professores convidados de Portugal e do Brasil.

Os palestrantes são profissionais e autoridades com comprovado reconhecimento. O Encontro constará de palestras e mesas redondas. Estas atividades serão abertas ao público em geral, sendo as vagas limitadas pelo espaço disponível no auditório.

O Encontro inclui em sua programação a realização da Assembleia Universitária para a outorga, ao Professor Nelson Rosas Ribeiro, do título de Professor Emérito da UFPB, proposto pelo Departamento de Economia e aprovado pelo CONSUNI/UFPB. Além disso, será lançado o livro “Questionando as teorias da dependência e da financeirização: O Brasil na encruzilhada do desenvolvimento do capitalismo”, de autoria do professor Frederico Jayme Katz.


PALESTRANTES CONVIDADOS:

Palestrantes Locais

Prof. Nelson Rosas Ribeiro (Fundador e Coordenador do PROGEB) 
Prof. Lucas Milanez de Lima Almeida (Professor de Economia da UFPB; Membro do PROGEB)
Prof.ª Rejane Gomes Carvalho (Professora de Economia da UFPB; Vice-coordenadora do PROGEB)
Prof.ª Rosângela Palhano Ramalho (Professora de Economia da UFPB; Membro do PROGEB)
Prof.ª Elivan G. Rosas Ribeiro (Professora aposentada da UFPB; Membro do PROGEB)
Prof. Ivan Targino Moreira (Professor de Economia da UFPB)
Prof.ª Wanderleya dos Santos Farias (Professora de Economia da UFPB; Membro do Projeto Trabalho, pobreza e políticas públicas)
Prof. Nílton Pereira de Andrade (Professor de Engenharia Civil da UFPB)

Palestrantes Nacionais

Prof. Marcelo Dias Carcanholo (Professor de Economia da UFF; Representante da SEP)
Prof. Frederico Jayme Katz (Professor aposentado da UFPE; Líder do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Regional e Integração)

Palestrantes Internacionais

Prof. António Augusto de Ascenção Mendonça (Ex-Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações de Portugal; Professor Catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa (ISEG-UTL)
Prof. António Carlos dos Santos (Ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de Portugal; Ex-Vice-Presidente do Grupo do Conselho da União Europeia sobre o Código de Conduta sobre a Fiscalidade Direta das Empresas; Professor da Universidade Autônoma de Lisboa)
Carlos Henrique Graça Correia da Fonseca (Ex-Secretário de Estado dos Transportes do Governo de Portugal; Consultor do Banco Mundial)

Segue a programação com os conferencistas confirmados:




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